Quarta, 06 de Maio de 2026
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Enquanto o Brasil registra aumento nos feminicídios, Maranhão amplia investimentos, fortalece rede de proteção e reduz casos

Estado registra queda de 40% em 2026 e consolida política pública integrada com foco na prevenção, acolhimento e resposta rápida.

Por: Editoração Fonte: Secom Maranhão
06/05/2026 às 22h10
Enquanto o Brasil registra aumento nos feminicídios, Maranhão amplia investimentos, fortalece rede de proteção e reduz casos
- Com investimentos em Segurança Pública, Maranhão tem queda de casos de feminicídio (Foto: Divulgação/Arquivo)

Em um cenário nacional de alerta, marcado pelo crescimento da violência contra a mulher e pelo registro de um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos no Brasil, no primeiro trimestre de 2026, o Maranhão apresentou redução nos casos de feminicídio e avanço na estrutura de proteção às mulheres.

Levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), elaborado pela Unidade de Estatística e Análise Criminal (UEAC) e pelo Departamento de Feminicídio, aponta que o estado registrou queda de 40% nos feminicídios entre janeiro e abril de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Foram contabilizados 9 casos neste ano, contra 15 registros no ano anterior.

O comparativo mensal mostra redução significativa principalmente em janeiro e abril. Em janeiro de 2025 foram registrados cinco casos, enquanto no mesmo período de 2026 houve apenas um registro, representando redução de 80%. Já em abril, os números passaram de cinco ocorrências em 2025 para dois casos em 2026, uma queda de 60%.

Em fevereiro, houve quatro registros em 2026, contra três no ano anterior, enquanto março permaneceu estável, com dois casos em cada período analisado.

Na Grande Ilha, o levantamento aponta redução de 50% dos feminicídios consumados. Em 2025, foram registrados dois casos no período de janeiro a abril, contra um caso em 2026.

Na capital, São Luís, os dados permaneceram estáveis no comparativo anual, com um caso registrado em cada período analisado. No entanto, abril de 2026 encerrou sem registros de feminicídio na capital, enquanto abril de 2025 havia contabilizado um caso.

Os nove casos registrados em 2026 ocorreram nos municípios de Alto Parnaíba, Centro Novo do Maranhão, Imperatriz, Itinga do Maranhão, Nina Rodrigues, Pirapemas, São Bernardo, São Luís e Timon.

Estrutura fortalecida e atendimento especializado em todo o estado

O resultado é reflexo direto do aumento dos investimentos do Governo do Maranhão na estrutura da segurança pública, na qualificação das equipes e na ampliação da rede de proteção às mulheres, consolidando uma política de Estado que atua de forma preventiva, integrada e contínua.

O Maranhão conta hoje com uma rede estruturada e capilarizada de enfrentamento à violência contra a mulher. Hoje, 22 regionais da Polícia Civil possuem Delegacias Especiais da Mulher, além de 16 salas dos Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher, instaladas com apoio das prefeituras em municípios que ainda não contam com delegacias especializadas. A iniciativa amplia o acesso e garante um atendimento mais adequado, humanizado e acolhedor às vítimas.

O Estado também dispõe do Departamento de Feminicídio, responsável pela condução das investigações, análise de dados e aperfeiçoamento das estratégias de combate, assegurando maior precisão e agilidade na resposta aos casos.

Para a chefe do Departamento de Feminicídio, delegada Wanda Moura, o fortalecimento dessa estrutura, especialmente a ampliação dos núcleos de atendimento, tem impacto direto tanto na proteção das vítimas quanto na elucidação dos crimes.

“Os Núcleos Especializados têm um papel fundamental, porque muitas vezes são a primeira porta de entrada dessas mulheres. É ali que começa o acolhimento, a escuta qualificada e a identificação de situações de risco. A partir desse atendimento, conseguimos agir com mais rapidez, qualificar as investigações e evitar que a violência evolua. Esse trabalho integrado entre acolhimento e investigação é o que fortalece toda a rede de enfrentamento”, destaca Wanda Moura.

Para a coordenadora estadual das Delegacias Especiais da Mulher, Kazumi Tanaka, o avanço está diretamente ligado à qualificação da estrutura e ao uso de inteligência.“O enfrentamento ao feminicídio exige atuação técnica, investigação qualificada e integração entre as forças. Hoje, o Maranhão conta com uma rede mais estruturada, com equipes especializadas e uso de inteligência, o que permite agir com mais rapidez e evitar que situações de violência evoluam para desfechos mais graves”, destaca.

Patrulha Maria da Penha: presença ativa e prevenção na ponta

Outro eixo estratégico da política pública é a Patrulha Maria da Penha, coordenada pela Polícia Militar, que atua diretamente na proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Atualmente, o Maranhão conta com 24 patrulhas em operação, com abrangência em cerca de 80 municípios, realizando:

- Monitoramento contínuo de medidas protetivas;

- Acompanhamento direto de vítimas;

- Fiscalização do cumprimento das decisões judiciais;

- Atuação preventiva para evitar reincidência e escalada da violência.

A coordenação do programa destaca que a atuação vai além da resposta policial, focando na prevenção.

“A Patrulha Maria da Penha atua de forma permanente junto às mulheres que já sofreram violência. Nós acompanhamos, orientamos e fiscalizamos o cumprimento das medidas protetivas. Essa presença constante reduz o risco e impede que muitos casos evoluam para situações mais graves”, afirma a major Camila Bispo, comandante da patrulha Maria da Penha da região metropolitana.

Tecnologia, acesso e resposta rápida

O Governo do Maranhão também tem ampliado os mecanismos de acesso à denúncia, garantindo que a violência seja interrompida o mais cedo possível.

Entre os principais canais online disponíveis estão:

- Aplicativo Salve Maria Maranhão (disponível para Android e IOS);

- 190 (Ciops – Centro Integrado de Operações de Segurança);

- 181 (Disque-Denúncia Maranhão).

A estratégia é ampliar o acesso, facilitar o registro e acelerar a resposta das forças de segurança, garantindo proteção imediata às vítimas.

Integração das forças e investimento contínuo

Os resultados alcançados são fruto da atuação integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar, Perícia Oficial de Natureza Criminal e demais órgãos da segurança pública, com foco em inteligência, planejamento e presença territorial.
Para a secretária de Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, o enfrentamento à violência contra a mulher é tratado como prioridade estratégica.

“O cenário nacional é preocupante e exige resposta firme. No Maranhão, estamos investindo em estrutura, tecnologia, inteligência e capacitação para proteger vidas. A redução dos feminicídios mostra que estamos no caminho certo, mas seguimos trabalhando todos os dias para avançar ainda mais”, conta a gestora.

Proteção como política pública permanente

Os dados também demonstram a interiorização das ações, com registros distribuídos em diferentes municípios, o que reforça o caráter municipalista da política de segurança e a presença do Estado em todo o território.

Mais do que números, os resultados representam uma mudança de abordagem: o enfrentamento à violência contra a mulher como política pública estruturada, baseada em prevenção, acolhimento e resposta efetiva.

Em um contexto nacional desafiador, o Maranhão avança com planejamento, investimento e integração, garantindo que a proteção das mulheres seja tratada como prioridade permanente e compromisso de Estado.

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