
Uma startup de base tecnológica do Piauí está entre as quatro empresas brasileiras selecionadas para a etapa final do Lab Procel II, um dos principais programas nacionais voltados à inovação em eficiência energética no setor da construção civil. A conquista da Buriti BioEspuma, sediada em Teresina, ocorre após um processo de desenvolvimento que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).
Selecionadas entre diversas empresas participantes do edital nacional, as quatro iniciativas escolhidas receberão investimento superior a R$ 2 milhões para o desenvolvimento e consolidação de soluções tecnológicas voltadas à redução do consumo energético nas edificações.
A empresa integra o grupo com uma tecnologia baseada em biomaterial vegetal aplicada à melhoria do desempenho térmico das construções e à redução da energia incorporada nos materiais utilizados na construção civil.

O percurso trilhado pela empresa está diretamente ligado ao apoio da Fapepi, que contribuiu para transformar a pesquisa acadêmica em um produto de mercado por meio do programa Centelha. A iniciativa é voltada à criação de startups de base tecnológica a partir de ideias desenvolvidas em universidades e centros de pesquisa.
“A trajetória da Buriti Bioespuma é indissociável do apoio estratégico da Fapepi, que acreditou no nosso potencial desde o início com a aprovação no Edital Centelha, fornecendo o alicerce necessário para transformarmos uma ideia em uma solução de mercado”, afirma o professor Lívio César Cunha Nunes, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia.

Segundo o professor, a nova conquista reforça a importância do investimento público em ciência e inovação no estado. “Essa nova conquista no Procel II reafirma o papel vital da Fapepi como o grande motor do ecossistema de inovação no Piauí, demonstrando que o investimento contínuo em ciência e tecnologia local é capaz de projetar startups piauienses para o protagonismo nacional e internacional”, acrescenta Lívio César.

A tecnologia desenvolvida pela startup utiliza matéria-prima vegetal renovável proveniente do pecíolo da palmeira buriti. O material é transformado em isolantes térmicos e absorventes acústicos sustentáveis, voltados ao uso na construção civil.
Além de melhorar o desempenho térmico das edificações — o que contribui para reduzir o consumo de energia com climatização —, o biomaterial também apresenta baixo impacto ambiental, por substituir insumos industriais convencionais por matéria-prima natural e renovável.

A proposta também fortalece cadeias produtivas locais ligadas ao extrativismo sustentável nas regiões das Matas dos Cocais, no Piauí e Maranhão, gerando renda para comunidades agroextrativistas e ampliando o potencial da bioeconomia regional.
A Buriti BioEspuma nasceu a partir de uma tese de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências e Engenharia dos Materiais da Universidade Federal do Piauí (UFPI), pelo pesquisador Felipe Fabrício, sob orientação do professor Lívio Nunes.
Hoje a empresa funciona incubada na Ineagro, incubadora de empresas do agronegócio da universidade, e reúne uma equipe formada também pelo pesquisador Renato Cosse, o administrador Leonardo Modesto e o arquiteto Taynan Rachid.

Atualmente, a startup já comercializa soluções voltadas ao conforto acústico, com produtos instalados em restaurantes, museus, escritórios e clínicas.

Além do apoio do programa Centelha, a empresa também participou de iniciativas como o Startup Nordeste e vem ampliando sua presença no cenário internacional. A Buriti BioEspuma foi selecionada para eventos globais de inovação como o Gitex Expand North Star, em Dubai, nas edições de 2024 e 2025, e o Web Summit Lisboa 2025.
Com o investimento obtido no Lab Procel II, a startup entra em uma nova etapa de desenvolvimento tecnológico e expansão de mercado, consolidando-se como uma das iniciativas brasileiras com maior potencial de impacto na agenda de eficiência energética e inovação em materiais sustentáveis.
