
Depois de décadas deruas alagadas, lama, esgoto a céu abertoe a sensação deabandono, moradores da região do Mata Fome, na Pratinha, viveram uma tarde marcada pelarenovação da esperançade uma vida melhor nesta segunda-feira (18). Sob aplausos, emoção e expectativa pelas obras, o prefeito de Belém,Igor Normando, assinou a ordem de serviço do Novo Mata Fome, dando início imediato às obras de drenagem e urbanização em uma das áreashistoricamente mais castigadas pela falta de saneamentona capital paraense.
Ao lado do vice-prefeito Cássio Andrade, secretários municipais e lideranças comunitárias, Igor Normando foi recebido pela população com emoção. Muitos moradores acompanharam tudo com lágrimas nos olhos e entusiasmo, vendo a possibilidade concreta detransformação social, ambiental e urbanaonde vivem milhares de famílias.Serão mais de 200 beneficiados.

O programa representa uma dasmaiores intervenções de adaptação climáticaerecuperação ambientaljá planejadas para Belém. O objetivo étransformar o Igarapé Mata Fome— símbolo histórico do abandono e da poluição — emreferência de recuperação ambiental,dignidade e reparação históricapara a população mais pobre da cidade.
Nestaprimeira etapa, 17 ruas foram selecionadas para iniciar os serviços de drenagem e urbanização,seguindo critérios técnicos definidos pela coordenação do programa. Asdemais vias serão atendidas de forma gradual, até alcançar mais de 40 ruas da bacia do Mata Fome.

Durante o ato, o prefeito Igor Normando destacou que a assinatura da ordem de serviço representa o início de uma transformação aguardada há décadas pelos moradores da região.
O prefeito também ressaltou que a atual gestão precisou reorganizar todo o projeto antes do início das obras.



Morador da Alameda Isabel há 22 anos, Daniel Santos, de 33 anos, contou quejá perdeu móveis, eletrodomésticos e até noites de sonopor causa dos alagamentos constantes na área.
A dona de casa Daniele Silva, de 30 anos, moradora da rua Abianca, na comunidade Duas Irmãs, segurava a filha Pérola, de apenas 10 meses, enquanto acompanhava a assinatura da ordem de serviço. Emocionada, ela afirmou que a obra representa dignidade para as famílias da região.
Quem também acompanhou o momento foi Maria Gorgete, de 59 anos, moradora da Rua São Clemente há duas décadas. Ela lembrou daspromessas antigasque nunca saíram do papel.



O coordenador geral doPrograma de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Mata Fome– PROMMAF,Wilson Neto,destacou que o momento é histórico para Belém e para os moradores da bacia do Mata Fome.
Wilson Neto também explicou que o PROMMAF foi concebido como uma grandeobra de adaptação climática, fundamental para reduzir os impactos das fortes chuvas e dos alagamentos que atingem a cidade.


O programa seráexecutado em etapas, seguindo normas internacionaisexigidas pelo financiamento do Fonplata, banco multilateral de desenvolvimento formado por Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Inicialmente, será realizada adrenagem e pavimentaçãodas ruas da bacia. Em seguida, terá início amacrodrenagem do canal, prevista para oinicio de 2027.
Entre os principais serviços previstos no Novo Mata fome estão arecuperação do igarapé, sem canalização de concreto;recuperação ambientalda área;reassentamento de famíliasque vivem em áreas de risco;pavimentação e microdrenagemdas ruas; além da construção de umparque linear, áreas de convivência,unidade básica de saúdee espaços comerciais.
A gestão municipal também vai iniciar oPlano Específico de Reassentamento(PER), responsável por acompanhar e garantirassistência às famíliasque precisarão serrealocadas das áreas de risco. O projeto prevênovas unidades habitacionais, além de estrutura desaúde e comérciopara atender os moradores reassentados.
A expectativa é de que mais de200 mil moradoresdos bairrosPratinha, Tapanã, Parque Verde e São Clemente sejam diretamente beneficiadospela obra, considerada uma das mais importantes da história recente de Belém.