
Os especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo destacam a importância da hidroterapia para a qualidade de vida dos pacientes com fibromialgia. Exercícios regulares, especialmente os aeróbicos e de baixo impacto, ajudam a modular a dor, melhorar a qualidade do sono e reduzir a fadiga. Este 12 de maio marca o Dia Nacional de Conscientização sobre a Fibromialgia. A data visa informar a sociedade sobre a doença e reduzir o preconceito em relação à condição, assim conscientizando a população.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por uma dor musculoesquelética crônica e generalizada, podendo se apresentar nas costas, quadris, braços, pernas, juntas, pescoço e ombros (principalmente nesses dois últimos). O quadro também é frequentemente acompanhado por fadiga, distúrbios do sono, disfunção cognitiva e alterações de humor.
O fisioterapeuta do Iamspe, Guilherme Sobrinho, explica que a hidroterapia é uma excelente prática para pessoas que vivem com a fibromialgia.
“Os pacientes chegam à piscina com um quadro mais avançado, com dificuldade para realizar atividades básicas do dia a dia. Ao longo do acompanhamento, no entanto, passam a perceber a redução da dor e o ganho de mobilidade. Essa evolução e a melhora na qualidade de vida são graduais, mas consistentes”, diz o profissional.
Entre os principais exercícios indicados aos pacientes com fibromialgia nas sessões de hidroterapia, estão: pequenos saltos, movimentos para melhora da mobilidade física e fortalecimento muscular.
A hidroterapia é indicada aos pacientes com fibromialgia, porque a água reduz o impacto entre o corpo e o solo. Essa característica ajuda a evitar que a atividade física intensifique as dores relacionadas à doença. Essa condição proporciona, também, mais tranquilidade e confiança ao doente, que executa os exercícios com menos preocupações.
A reumatologista do Iamspe, Taciana Paula de Souza Stacchini, reforça que a atividade física é um dos pilares fundamentais no tratamento da fibromialgia, pois a prática regular de exercícios ajuda a reduzir a sensibilização central, tornando o organismo menos reativo aos estímulos dolorosos.
“É fundamental, porém a atividade deve ser iniciada de forma gradual, respeitando os limites de cada paciente, a fim de evitar a piora dos sintomas”, acrescenta.
A fibromialgia afeta de 2% a 3% da população brasileira, com maior incidência em mulheres entre 30 e 50 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Taciana explica também que a doença altera e aumenta a percepção da dor.
“Costumo usar o exemplo de uma casa com o alarme desregulado: qualquer pequeno estímulo acaba disparando o alarme. De forma semelhante, o cérebro da pessoa com fibromialgia passa a reagir de maneira exagerada aos estímulos”, exemplifica a reumatologista. Por isso, o cérebro e a medula interpretam os sinais de forma amplificada, fazendo com que o paciente sinta dor de maneira mais intensa, mesmo sem uma lesão evidente.
O diagnóstico de fibromialgia é clínico e baseado na presença de dor generalizada por pelo menos três meses, associada a outros sintomas como fadiga e distúrbios do sono. Pode haver uma associação com outras doenças, como depressão e osteoartrite. As alterações hormonais da tireoide devem ser excluídas.
Atualmente, o tratamento da fibromialgia gerencia os sintomas da doença e mantém a qualidade de vida do paciente. A terapêutica é multimodal, com uma combinação de terapias farmacológicas (antidepressivos e anticonvulsionantes) e não farmacológicas (atividade física, alimentação equilibrada e terapia cognitivo-comportamental).