
Após um ano de trabalho intenso e mais de 2.400 quilômetros percorridos em escutas qualificadas com representantes do setor produtivo, investidores, gestores públicos e comunidades locais, Sergipe consolida um novo ciclo de desenvolvimento econômico ao lançar o Plano Estratégico para Estruturação de Destinos Turísticos e Atração de Investimentos. O estudo que fundamenta o plano foi conduzido pelo Governo de Sergipe, por meio da Desenvolve-SE e da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), com apoio da Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan).
O documento apresenta Sergipe como uma oportunidade estratégica para o capital privado ao reunir ativos naturais e culturais ainda pouco explorados a um ambiente de negócios estruturado para reduzir riscos e ampliar a rentabilidade dos investimentos. Para isso, propõe diretrizes voltadas à organização e qualificação de territórios prioritários, com foco inicial no Litoral Sul e no Alto Sertão, tornando essas regiões mais competitivas, preparadas para receber empreendimentos e impulsionar a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
Para o governador do Estado, Fábio Mitidieri, o avanço do turismo em Sergipe é resultado de uma estratégia baseada em planejamento e execução monitorada, consolidada com a apresentação dos planos estratégicos do Litoral Sul e do Alto Sertão.
“A iniciativa estabelece metas claras e cria um comitê gestor responsável por acompanhar indicadores, obras de infraestrutura, qualificação da mão de obra e ações voltadas ao desenvolvimento turístico. Com um ambiente de negócios mais estruturado e políticas públicas contínuas, o turismo passa a atrair cada vez mais investimentos privados, ampliando a permanência dos visitantes e posicionando Sergipe como destino final, e não mais apenas de passagem”, destaca.
Delta de oportunidade
O plano parte de uma ideia central: Sergipe vive um “Delta de Oportunidade”, caracterizado pela combinação entre forte atratividade turística e baixa maturidade da oferta. Na prática, isso significa um mercado ainda não saturado, onde investidores podem atuar com maior margem e menor concorrência.
A análise aponta que o estado já acompanha tendências globais do turismo, especialmente a busca por experiências autênticas e sustentáveis. Com base no comportamento de mais de 6 milhões de potenciais turistas, o estudo identifica uma demanda qualificada, com destaque para públicos de maior poder aquisitivo e alta propensão de consumo.
O presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, afirma que o Plano Estratégico consolida uma visão de longo prazo para o turismo sergipano. “Deixamos de lado iniciativas isoladas para adotar uma política de Estado capaz de atravessar diferentes gestões. Com metas definidas, monitoramento contínuo e governança estruturada, Sergipe consolida uma estratégia voltada à geração de emprego, renda e desenvolvimento social por meio do turismo”, explica.
A secretária de Estado do Turismo, Daniela Mesquita, destaca que o lançamento do Plano Estratégico evidencia oportunidades concretas no Litoral Sul e no Alto Sertão. “São duas regiões com alto potencial turístico e o plano estabelece um direcionamento estratégico para o desenvolvimento ordenado desses territórios. A proposta é orientar o crescimento de forma planejada”, afirma.
A secretária adianta ainda que a estratégia prevê a expansão dos estudos para outras regiões do estado, como o Litoral Norte e a Grande Aracaju, consolidando uma visão integrada para o turismo em Sergipe.
Estudo técnico
A elaboração técnica ficou a cargo da consultoria Urban Systems, responsável por desenvolver diagnósticos, estruturar diretrizes e consolidar o planejamento estratégico dos destinos a partir de uma abordagem integrada e orientada a resultados.
Para o diretor de relações internacionais e atração de investimentos da Desenvolve-SE, Ademario Alves, o plano representa uma iniciativa inédita para Sergipe e reforça a credibilidade do estado na atração de investimentos. “Este é um trabalho pioneiro. Entendemos que era imprescindível construir um plano detalhado, com ações estruturadas e um diagnóstico robusto, para transmitir segurança aos investidores que avaliam oportunidades em diferentes estados, cidades e até países. O estudo não apenas mapeou os principais atrativos turísticos já existentes, mas identificou as potencialidades de cada destino e as propostas de valor capazes de atrair visitantes”, explica.
O diretor de gestão hoteleira e desenvolvimento de destinos turísticos e imobiliários da Urban Systems, Franklin Mira, explica que, ao longo de um ano de trabalho, foi possível mapear de forma detalhada as ações necessárias para estruturar o turismo no estado. “Esse processo revelou um potencial significativo de oportunidades para investidores, reforçando Sergipe como um território estratégico para novos negócios. Mais do que um relatório, o documento representa um plano estruturado, com cronograma e definição de atividades que orientam a execução das propostas. A iniciativa consolida a transição da fase estratégica para a operacional, criando as condições necessárias para que os projetos saiam do papel”, expõe.
Além da demanda qualificada, o estudo aponta o mercado interno como um diferencial competitivo. Cerca de 37% da população sergipana realiza viagens dentro do próprio estado ao longo do ano, garantindo fluxo constante de visitantes e reduzindo a dependência da alta temporada. Para o CEO da Urban Systems, Thomaz Assumpção, o estado demonstra maturidade ao adotar uma gestão baseada em planejamento, estruturação e execução.
“Esse trabalho nos honrou e também nos desafiou, porque é um projeto grande, voltado à estruturação de um turismo latente, um verdadeiro diamante bruto que precisa ser lapidado. Sempre que apresentamos os potenciais de Sergipe, eles são amplamente reconhecidos. Por isso, acreditamos que esse projeto terá repercussão nacional e internacional”, ressalta.
Turismo contemporâneo
O Plano Estratégico evidencia que Sergipe possui ativos estratégicos alinhados às demandas do turismo contemporâneo. De um lado, ecossistemas preservados, como manguezais, dunas, estuários e os cânions do rio São Francisco, que permitem o desenvolvimento de produtos voltados ao ecoturismo. De outro, um patrimônio cultural rico, com comunidades tradicionais, rotas históricas e experiências autênticas.
A principal lacuna identificada está na oferta. Esses ativos ainda operam de forma desarticulada e apresentam déficit de infraestrutura turística de alto padrão. É justamente nesse cenário que se abre uma janela de oportunidades para o investimento privado, com potencial para criação de produtos de maior valor agregado.
Diferente de propostas apenas conceituais, o Desenvolve Turismo apresenta uma carteira estruturada de projetos interconectados. Entre as principais frentes estão a implantação de marinas, atracadouros e infraestrutura para turismo náutico; a expansão da rede hoteleira, com foco em eco lodges, resorts e hotéis boutique; o desenvolvimento de complexos turísticos integrados; e a criação de um distrito regenerativo voltado à inovação em energia, mobilidade e saneamento.
O plano também delimita geografias prioritárias para investimento. No Alto Sertão, região dos Cânions do Xingó, o fluxo turístico já é consolidado, mas há escassez de hospedagens de padrão médio e alto, abrindo espaço para empreendimentos voltados ao turismo premium.
Já no Litoral Sul, destinos como Estância, Indiaroba e o entorno da Praia do Saco combinam acesso facilitado — a cerca de uma hora do aeroporto — com baixa densidade de leitos turísticos, criando condições favoráveis para resorts, segunda residência e turismo náutico.
Ambiente seguro
Outro diferencial do plano está na estrutura de governança e no papel do Estado como facilitador de investimentos. O modelo prevê processos de licenciamento mais ágeis, criação de um observatório do turismo com dados contínuos e instâncias de governança voltadas à garantia de continuidade das políticas públicas.
Além disso, o plano estabelece uma lógica de execução que prioriza infraestrutura básica, como saneamento e acessos, antes da entrada do capital privado, reduzindo riscos operacionais e aumentando a previsibilidade dos projetos. Com isso, o estado sinaliza ao mercado que está preparado para receber capital privado com segurança, planejamento e oportunidades concretas, transformando o turismo em um dos principais vetores de crescimento sustentável nos próximos anos.
Comitê Gestor
Para garantir a execução e o monitoramento das ações previstas no Plano Estratégico, o Governo de Sergipe também instituiu um Comitê Gestor Transitório, responsável por coordenar a implementação das propostas, acompanhar indicadores e assegurar o alinhamento entre os órgãos envolvidos. Vinculado à Desenvolve-SE e com cogestão técnica da Setur, o comitê atuará na priorização de projetos, mitigação de riscos institucionais e interlocução estratégica com investidores e órgãos de fomento.
A estrutura de governança reúne representantes de diferentes áreas do poder público, setor produtivo e trade turístico, fortalecendo a integração necessária para transformar o planejamento em ações concretas. O modelo prevê reuniões periódicas, acompanhamento contínuo das metas e apoio técnico especializado para temas como modelagem de parcerias, carteira de investimentos e infraestrutura. A proposta é garantir maior previsibilidade, continuidade das políticas públicas e segurança para atração de capital privado ao turismo sergipano.
Acesse a versão online do Plano Estratégico para Estruturação de Destinos Turísticos e Atração de Investimentos no site da Desenvolve-se .
