Quarta, 06 de Maio de 2026
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Psicóloga alerta para a necessidade do cuidado emocional com gestantes e puérperas

Profissional da Maternidade Santa Mônica destaca a importância do Dia Mundial da Saúde Mental Materna, comemorado neste 6 de maio

Por: Editoração Fonte: Secom Alagoas
06/05/2026 às 11h30
Psicóloga alerta para a necessidade do cuidado emocional com gestantes e puérperas
A psicóloga Regina Japiá alerta para a importância de se identificar quando é a hora de buscar ajuda especializada - Ascom MESM
Ascom MESM

Nesta quarta-feira (6) é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental Materna, uma data que na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM) ganha um significado diferenciado. Referência no atendimento de alta complexidade em Alagoas, a unidade assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) aproveita a ocasião para destacar que o bem-estar emocional das mães é tão prioritário quanto à saúde física.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde mental materna como o estado de bem-estar emocional, psicológico e social da mulher durante a gestação, no pós-parto e nos primeiros anos de vida do bebê. De acordo com a OMS, em média, uma em cada cinco mulheres, no mundo, terá um episódio de doença mental durante a gravidez ou no ano após o nascimento do bebê. A instituição prevê ainda que 20% das mulheres que sofrem algum transtorno mental nesse período terão pensamentos suicidas ou cometerão atos de automutilação.


Na Maternidade Escola Santa Mônica, a equipe multiprofissional formada por psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, dentre outras especialidades, disponíveis 24 horas para o cuidado com as pacientes, oferece suporte contínuo, ao longo de todo o ano, e realiza ações de maneira cíclica, promovendo sempre atividades em prol da saúde mental materna.

De acordo com Regina Japiá, psicóloga da unidade, essas iniciativas incluem o atendimento individualizado, o acolhimento aos familiares e a realização de rodas de conversa.

Para a psicóloga, a data é um momento estratégico para humanizar o olhar sobre a mulher que acaba de dar à luz, e um convite para refletir que o nascer de uma mãe exige um olhar cuidadoso sobre suas emoções. Japiá esclarece que, na Santa Mônica, o trabalho busca orientar a mulher para que ela consiga ressignificar suas angústias e vivenciar a maternidade com mais leveza e menos culpa.

“Por isso, é fundamental que a rede de apoio e a sociedade em geral compreendam que a saúde mental não pode ser negligenciada em nome de uma idealização da maternidade. Assim, a importância da data reside na validação dos sentimentos, já que, muitas vezes, a sociedade foca apenas no bebê, esquecendo que por trás dele existe uma mulher que também precisa ser cuidada, ouvida e respeitada em suas vulnerabilidades”, ressalta a profissional. Ela ressalta que a busca pelo serviço de psicologia é essencial para garantir o cuidado integral com a vida.

Rebeca de Souza Nicastro, 30 anos, mãe dos gêmeos Heitor e Henrique, nascidos com 31 semanas de gestação, relata que a experiência na UTI Neonatal foi desafiadora e exigiu força emocional. Segundo ela, foi preciso aprender a lidar com a situação “um dia de cada vez, uma vitória por vez”.

Ela destacou que o apoio da equipe de saúde foi fundamental para enfrentar o período com mais tranquilidade. A mãe também ressalta a importância do acolhimento durante a internação dos filhos, e diz que não se sentiu desamparada, pois a forma como os profissionais explicavam cada passo do tratamento contribuiu para reduzir a ansiedade e o medo. Para ela, ser ouvida e compreendida fez toda a diferença em um momento tão delicado.


Alerta

A psicóloga da MESM lembra ainda que o dia 6 de maio serve também como um alerta para que a rede de apoio saiba identificar quando é a hora de buscar ajuda especializada, já que mudanças emocionais são comuns no pós-parto, e reações como choro fácil, sensibilidade, oscilações de humor, cansaço físico e mental, dificuldade para dormir e insegurança diante da nova rotina fazem parte da adaptação à nova realidade.

“No entanto é preciso atenção redobrada para diferenciar essas reações normais de quadros mais sérios. Sinais como sensação constante de tristeza ou vazio, falta de interesse pelo bebê ou por atividades do dia a dia, crises de ansiedade frequentes, pensamentos de incapacidade ou culpa excessiva, além de isolamento e recusa ao contato social, são alertas claros, podendo indicar ansiedade ou depressão pós-parto, devendo ser acompanhados de perto pela rede de apoio para que a mulher seja prontamente encaminhada a um médico especializado e recupere sua qualidade de vida”, alerta Regina.

Minimizando sintomas


Pesquisas realizadas pelo World Maternal Health Day informam que 70% das mulheres escondem ou minimizam seus sintomas, e que uma em cada cinco sofre de Transtorno de Humor e Ansiedade Perinatal.

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que dentre os transtornos mentais que acometem as gestantes e as novas mães estão a depressão, a ansiedade, o transtorno de estresse pós-traumático, a psicose pós-parto, o transtorno de pânico e diversas fobias.

No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) alerta que a depressão pós-parto atinge cerca de uma em cada quatro mulheres, podendo surgir nas primeiras semanas após o nascimento do bebê ou até meses depois.

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