
O governador Eduardo Leite e o vice-governador Gabriel Souza participaram, na tarde desta terça-feira (5/5), de ato na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) General Souza Doca, em Muçum, no Vale do Taquari, marcado pela entrega do primeiro Plano de Contingência Escolar para Eventos Climáticos (Plancon Escolar) concluído na Rede Estadual. A iniciativa integra a programação do “Plano Rio Grande: dois anos de recomeço. O caminho da resiliência” e simboliza o avanço das ações de reconstrução e preparação das comunidades escolares diante de emergências climáticas.
Como parte das ações da programação, a comunidade escolar de Muçum esteve reunida em um momento que evidenciou o espírito de retomada após os eventos meteorológicos, com foco no fortalecimento das políticas públicas na área da educação. A EEEM General Souza Doca, única escola estadual do município, foi a primeira a concluir todas as etapas previstas na elaboração do Plancon Escolar, documento que orienta protocolos e respostas em situações de risco. Na educação, área tratada como prioridade pelo governador Eduardo Leite, o propósito do governo é garantir o futuro do estudante, do professor e da sociedade.
Leite destacou que o momento representa um avanço concreto na forma como o Estado se prepara para enfrentar eventos extremos, integrando reconstrução, prevenção e continuidade dos serviços públicos. “A entrega deste plano em Muçum vai além de um instrumento técnico. Ela materializa uma mudança de postura: estamos transformando a experiência recente em ação estruturada, com planejamento, protocolos e responsabilidade. Nosso compromisso é proteger vidas, assegurar o funcionamento das escolas mesmo em cenários adversos e preparar nossas comunidades para responder com mais rapidez e segurança. A Souza Doca se torna referência ao mostrar que é possível converter um episódio crítico em capacidade instalada para o futuro, e é esse padrão que queremos consolidar em toda a Rede Estadual”, afirmou.
Gabriel destacou o impacto do equilíbrio das contas na retomada dos investimentos na rede pública estadual, citando como exemplo as melhorias realizadas na escola General Souza Doca. "Estamos investindo muito nas escolas gaúchas. São mais de mil escolas em obras no Rio Grande do Sul, um estado que tem 2.304 escolas. E não são apenas números, são números que representam e mudam a vida das pessoas. Claro que a educação não é só prédio, é muito mais que isso. Mas o prédio da escola também tem a ver com qualidade, pertencimento, acolhimento e bem-estar das pessoas, que passam boa parte da sua vida ali. Há poucos anos, o Estado não tinha recursos para nada disso, mas hoje o Estado está totalmente diferente", afirmou.
A cerimônia contou ainda com a presença da secretária da Educação, Raquel Teixeira, da secretária de Obras Públicas, Izabel Matte, do prefeito de Muçum, Amarildo Baldasso, e da titular da 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Greicy Weschenfelder.
Com 97 anos de história, a escola atende hoje 283 estudantes, tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio. Localizada a menos de 600 metros do Rio Taquari, a instituição foi atingida por sucessivas enchentes: três em novembro de 2023 e outra em maio de 2024. Na categorização criada pela Secretaria de Educação (Seduc) para determinar o grau de impacto sofrido por cada escola, a Souza Doca foi classificada como nível 5, o mais severo.
Enfatizando o protagonismo juvenil, a condução da cerimônia ficou a cargo de dois estudantes, Fernanda Baldasso e Italo Rafael Teixeira, ambos alunos do 3° ano do Ensino Médio. Antes dos pronunciamentos oficiais, a plateia acompanhou a encenação da peça teatralAline no País da Educação, também apresentada pelos próprios alunos da escola.

A diretora da Escola General Souza Doca, Karina Cucioli, afirmou que a instituição estruturou um plano estratégico para fortalecer a segurança da comunidade escolar. “Hoje apresentamos o nosso Plano de Contingência, o Plancon, um instrumento fundamental para garantir a segurança e o bem-estar de todos. Ele organiza procedimentos, define responsabilidades e orienta ações rápidas e eficazes diante de possíveis situações de emergência. Esse trabalho foi construído de forma coletiva, com muito aprendizado e parceria, e queremos que ele seja uma prática viva no nosso dia a dia, baseada na prevenção, no cuidado e na responsabilidade de todos”, destacou.
A entrega do Plancon em Muçum é o resultado de uma política mais ampla chamada Escolas Resilientes. A iniciativa, desenvolvida pela Seduc, leva em consideração as consequências daquela que é considerada a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul. Mais de 403 mil estudantes tiveram suas rotinas impactadas e 1.104 escolas estaduais foram afetadas.
Na Rede Estadual, o modelo das Escolas Resilientes é organizado em quatro eixos: elaboração do Plancon Escolar, Infraestrutura Escolar Resiliente, Currículo Adaptado e Ações de Acolhimento e Escola Sensível ao Trauma.

Ao apresentar o modelo de Escolas Resilientes, Raquel afirmou que a Rede Estadual está se preparando para um novo cenário climático, incorporando a gestão de risco ao cotidiano escolar. “Entregamos hoje, na Souza Doca, o primeiro Plano de Contingência construído por uma escola da Rede. Em um município fortemente impactado, essa iniciativa simboliza a resiliência da educação gaúcha. Com base nas diretrizes da Seduc, a própria comunidade estruturou suas ações para agir antes, durante e depois de eventos climáticos. Até agosto, outras 86 escolas também estarão com seus planos concluídos”, disse.
Para produzir os Plancons, a Seduc priorizou 87 escolas estaduais que foram escolhidas para implementação dos planos. A seleção teve como base os critérios de vulnerabilidade e exposição a riscos ambientais.
Nesse processo, a Seduc elaborou um guia orientador com 19 etapas, que detalha desde o diagnóstico de pontos de atenção até a definição de protocolos e a realização de simulações e treinamentos. Cada escola deve formar um comitê próprio e, assim, adaptar as diretrizes da Seduc à sua realidade, sendo que os planos também precisam passar por revisões periódicas.
A elaboração dos Plancons conta com o apoio do Banco Mundial, do Instituto Alana e da ONG Vozes da Educação, além de consultoria técnica viabilizada por meio de parceria com a Unesco. Também foram realizadas formações com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden Educação) e com a Defesa Civil estadual.
A proposta é que o plano se torne um instrumento permanente de gestão escolar, integrado a documentos como o Projeto Político-Pedagógico (PPP) e o Plano Anual de Ações e Metas.
Texto: Ascom Seduc
Edição: Secom