
Uma operação emergencial foi mobilizada para a limpeza e desobstrução do Canal Mata Fome, com o objetivo derestabelecer o fluxo hídrico e reduzir alagamentos na região. A ação, encerrada nesta segunda-feira, 27, ocorreu após o registro de fortes chuvas no último dia 19 de abril, que agravaram o represamento da água. A ação inclui dragagem com máquinas, abertura de valas e retirada de obstáculos ao longo do canal.Entre os principais problemas estão o acúmulo de lixo e a presença de construções irregulares.


Um dos casos mais graves foi aremoção de um chiqueiro instalado dentro do Canal Mata Fome, na rua Santo Antônio, no bairro do Tapanã. A estrutura era o principal ponto de bloqueio da água na área, dificultando o escoamento e contribuindo para os alagamentos.

Enquanto a demolição avançava, outra frente de trabalho seguia ativa nas proximidades do canal.Equipes mantêm uma força-tarefa para a limpeza de um lixão irregular de grandes proporções. A ação ocorrediariamente, com retirada contínua de resíduos, como parte das medidas para reduzir os impactos das chuvas.
Até o momento,mais de 800 toneladas de lixo e cerca de 120 caçambas de entulho foram recolhidase encaminhadas ao Aterro do Aurá. De acordo com a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), o acúmulo de resíduos foi um dos principais fatores responsáveis pelo bloqueio do escoamento da água.
Com a operação em andamento,a expectativa é normalizar o fluxo hídrico e diminuir os efeitos das chuvas na região. A gestão municipal destaca ainda aimportância da colaboração da população, especialmente no descarte adequado de resíduos, para evitar novas obstruções e a recorrência do problema.
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Reforçando o impacto técnico da ação, o secretário adjunto de zeladoria, Marcelo Mattos, destacou a relevância estratégica da intervenção como umaimportante medida de mitigação dos alagamentos no bairro do Tapanã. Segundo ele,o ponto de descarte irregular vinha se consolidando como um dos principais gargalos do sistema de drenagem local, contribuindo para o acúmulo de resíduos e o comprometimento do escoamento das águas pluviais na bacia do Mata Fome.
Mattos ressaltou que a retirada do material representa um avanço significativo ao restabelecer parcialmente a capacidade de vazão do canal, reduzindo os riscos imediatos de transbordamento nas áreas mais baixas do entorno. No entanto, enfatizou que a ação, embora essencial, não é definitiva para a solução do problema.

“O serviço executado configura umamedida emergencial de mitigação, que permite melhorar o fluxo das águas e minimizar os impactos mais críticos no curto prazo. Contudo, é importante destacar que a problemática no Mata Fome é mais ampla e envolve fatores estruturais, como o aterramento de braços de igarapés por ocupações irregulares, além de condicionantes topográficas que dificultam o escoamento natural. Dessa forma, ainda serão necessárias outras intervenções complementares, de caráter estrutural e de ordenamento urbano, para que se alcance uma solução efetiva e duradoura para os alagamentos na região”, explicou Mattos.
As intervenções no Canal Mata Fome foram classificadas como ação prioritária no contexto do decreto de situação de emergência em Belém. A medida prevê a liberação imediata do fluxo do canal como resposta aos impactos provocados pelas chuvas recentes, que agravaram os problemas de drenagem na região.
Durante o anúncio,o prefeito Igor Normando informou que será iniciada a primeira fase das obras de macrodrenagem no Mata Fome, considerada fundamental para ampliar a capacidade de escoamento das águas e reduzir a ocorrência de alagamentos. A gestão municipal informa que a iniciativa integra umconjunto de ações estruturantes voltadas à requalificação da infraestrutura urbana, com foco na melhoria das condições de mobilidade, saneamento e qualidade de vida dos moradores das áreas mais afetadas.
Texto: Mateus Silva, estagiário sob orientação de Juliana Maia