Terça, 20 de Outubro de 2026
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Governo de Alagoas discute ativação de fábrica de absorventes no presídio Santa Luzia

Iniciativa conjunta prevê uso de mão de obra de reeducandas para combater a pobreza menstrual e abastecer a rede pública

Por: Editoração Fonte: Secom Alagoas
20/10/2026 às 20h47
Governo de Alagoas discute ativação de fábrica de absorventes no presídio Santa Luzia
Iniciativa entra na fase final de adequações técnicas para iniciar as atividades nos próximos 30 dias - Edvan Ferreira/Agência Alagoas
Ana Beatriz Rodrigues/ Agência Alagoas

O governador em exercício, Fábio Bittencourt, reuniu-se, na tarde desta terça-feira (20), no Palácio República dos Palmares, com representantes do Poder Judiciário e secretários de Estado para definir o início da fábrica de absorventes que será instalada no Estabelecimento Prisional Feminino Santa Luzia.


O projeto tem como foco o enfrentamento da pobreza menstrual e a ampliação das frentes de ressocialização pelo trabalho. A proposta discutida na reunião integra esforços institucionais para colocar em funcionamento o maquinário viabilizado por meio de convênio com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Com espaço físico já edificado pelo Estado, a iniciativa entra na fase final de adequações técnicas para iniciar as atividades nos próximos 30 dias.




De acordo com o governador em exercício, a união entre os poderes foi determinante para destravar as etapas burocráticas pendentes. "Discutimos a implementação efetiva deste convênio para erradicar a pobreza menstrual, inicialmente no sistema prisional e alcançando também a sociedade. Temos os equipamentos, a mão de obra das reeducandas e o aporte de recursos viabilizado pela 16ª Vara Criminal. Alinhamos os ajustes necessários para dar celeridade a esse processo e garantir que a fábrica entre em operação o quanto antes", pontuou Fábio Bittencourt.


Recursos de penas pecuniárias e destinação social


Os insumos para a confecção dos produtos serão adquiridos com recursos provenientes de verbas decorrentes de condenações criminais geridas pela 16ª Vara Criminal, com amparo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que autoriza o direcionamento desses valores a projetos de relevante alcance social.


O juiz Alexandre Machado, um dos titulares da 16ª Vara Criminal da Capital, explicou que a linha de produção atenderá às próprias custodiadas e terá o excedente distribuído à rede pública.


"As reeducandas do Santa Luzia atuarão diretamente na fabricação desses itens, transformando cumprimento de pena em capacitação profissional e benefício direto para a saúde pública alagoana, além da destinação aos estudantes da rede pública", destacou o juiz. O secretário de Ressocialização, Diogo Teixeira, ressaltou que a ativação da fábrica fecha um ciclo virtuoso de inclusão, dando continuidade à política estadual de fomento ao trabalho prisional. Atualmente, o sistema conta com experiências consolidadas como a Padaria Central, que abastece unidades prisionais e atende demandas sociais externas, e o Núcleo Industrial Bernardo Oiticica.




"A oferta de trabalho remunerado e a capacitação garantem disciplina interna e prepara a pessoa privada de liberdade para o retorno à sociedade. Quando conseguimos garantir 100% dos reeducandos trabalhando e estudando, a taxa de reincidência criminal fica abaixo de 2%, contrastando com médias superiores a 40% em locais sem essa estrutura. Esse controle e ocupação produtiva refletem diretamente na redução dos índices de criminalidade em Alagoas", afirmou o titular da Secretaria de Ressocialização (Seris).


O cronograma prevê a conclusão dos ajustes de infraestrutura e treinamento nas próximas semanas, iniciando a fabricação até o encerramento deste ano. Também participaram da reunião os secretários de Governo, Vítor Pereira, e do Gabinete Civil, Felipe Cordeiro.

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