Turismo pedagógico leva estudantes acreanos a uma viagem pela história dos geoglifos
Projeto "Meu Lugar no Mundo" transforma atrativos históricos em salas de aula ao ar livre e fortalece a identidade cultural de jovens estudantes
Por: EditoraçãoFonte: Prefeitura de Rio Branco - AC
13/07/2026 às 17h20
Foto: Reprodução/Prefeitura de Rio Branco - AC
Conhecer a história no próprio lugar onde ela aconteceu é uma experiência capaz de despertar curiosidade, senso crítico e sentimento de pertencimento. É com esse propósito que a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação (SDTI), em parceria com o Sindicato dos Guias de Turismo do Estado do Acre (SINGTUR), desenvolve o projeto “Meu Lugar no Mundo – Acreano de Coração, Brasileiro por Opção”, iniciativa que transforma os principais atrativos turísticos, históricos e culturais de Rio Branco em verdadeiros ambientes de aprendizagem.
Por meio de palestras e visitas guiadas, estudantes têm a oportunidade de sair da sala de aula para vivenciar, na prática, a história do Acre. O contato direto com o patrimônio histórico fortalece o sentimento de pertencimento, estimula a valorização da cultura local e contribui para a formação de cidadãos mais conscientes da importância de preservar a memória e a identidade acreana.
Alunos da Escola Estadual Dr. João Batista Aguiar visitaram os sítios arqueológicos Jacó Sá e Severino Calazans para conhecer de perto a história dos povos originários e a importância da preservação dos geoglifos acreanos. (Foto: Secom)
Uma das experiências mais marcantes do projeto foi a visita dos alunos da Escola Estadual Dr. João Batista Aguiar aos sítios arqueológicos Jacó Sá e Severino Calazans, importantes registros da presença dos povos originários na Amazônia. O Sítio Jacó Sá, localizado às margens da BR-317, em Rio Branco, é o único geoglifo tombado pelo patrimônio histórico brasileiro e representa um dos mais importantes patrimônios arqueológicos do estado.
Para a professora de Geografia Miriam Cordeiro de Mello, a atividade representou a concretização de um sonho cultivado há mais de 20 anos. Ela relembra que, ainda universitária, participou de uma palestra ministrada pelo cientista Alceu Ranzi, na Universidade Federal do Acre (Ufac), quando conheceu as primeiras pesquisas sobre os geoglifos.
“Hoje, poder proporcionar essa experiência e ver nos olhos dos alunos o mesmo encantamento que senti há 20 anos é a maior recompensa que a educação poderia me dar”, afirmou Miriam. (Foto: Secom)
“Naquela época, fiquei fascinada com as descobertas e imaginava como seria importante trazer futuros alunos para conhecer esses lugares. Hoje, poder proporcionar essa experiência é emocionante. Ver, nos olhos deles, o mesmo encantamento que senti há 20 anos é a maior recompensa que a educação poderia me dar”, afirmou a professora.
Durante a visita, conduzida pelo guia de turismo Gleison Xavier, os estudantes conheceram detalhes sobre a origem dos geoglifos, as hipóteses sobre suas funções e a importância da preservação desses sítios arqueológicos para a compreensão da história da ocupação humana na Amazônia.
A grandiosidade das estruturas impressionou os jovens. O estudante Alan Breno Oliveira de Souza destacou o nível de organização dos povos originários.
Durante a visita guiada por Gleison Xavier, os estudantes conheceram a origem dos geoglifos, suas possíveis funções e a importância da preservação desse patrimônio arqueológico para a história da Amazônia. (Foto: Secom)
“É difícil imaginar como eles conseguiram construir tudo isso sem as tecnologias que existem hoje. Isso mostra o quanto eram inteligentes e organizados. A visita desperta ainda mais a vontade de entender qual era o verdadeiro objetivo dessas construções.”
Para o estudante do 3º ano do ensino médio Kauan Eduardo de Lima Félix, a visita proporcionou uma nova perspectiva sobre a capacidade técnica e o conhecimento dos povos que habitaram a região há milhares de anos. Segundo ele, conhecer os geoglifos de perto tornou a aprendizagem mais significativa e despertou ainda mais o interesse pela história do Acre e pela importância da preservação desse patrimônio arqueológico.
A grandiosidade das estruturas impressionou os jovens estudantes. (Foto: Secom)
“Quando a gente vê de perto, percebe o tamanho dessas estruturas. Saber que tudo foi feito apenas com ferramentas simples, madeira, pedras e muito trabalho manual faz a gente admirar ainda mais esses povos.”
O estudante Samuel Rocha de Souza também ressaltou a importância da atividade para o processo de aprendizagem. Segundo ele, a visita aos geoglifos permitiu compreender de forma mais concreta os conteúdos estudados em sala de aula, tornando o conhecimento mais próximo da realidade e despertando ainda mais o interesse pela história e pelo patrimônio arqueológico do Acre.
“Nos livros, a gente aprende a teoria, mas aqui conseguimos visualizar tudo. É muito diferente estudar vendo o local onde essa história aconteceu.”
De acordo com os estudantes conhecer os geoglifos de perto tornou a aprendizagem mais significativa e despertou ainda mais o interesse pela história do Acre e pela importância da preservação desse patrimônio arqueológico. (Foto: Secom)
Já o estudante Davi Cavalcante Paiva disse ter ficado impressionado com a precisão das formas geométricas construídas pelos povos originários há milhares de anos. Para ele, conhecer os geoglifos de perto revelou o elevado nível de conhecimento e planejamento dessas civilizações, reforçando a importância de preservar esse patrimônio histórico e arqueológico para as futuras gerações.
“É surpreendente pensar que eles conseguiram fazer desenhos tão perfeitos no solo sem equipamentos modernos. Isso mostra um conhecimento muito avançado para a época”, enfatizou.
Além de atender estudantes acreanos, o projeto também amplia o intercâmbio cultural entre diferentes povos. Recentemente, recebeu um grupo de 20 estudantes da região de Cusco, no Peru, que conheceu a história, os patrimônios culturais e os atrativos turísticos de Rio Branco, fortalecendo os laços de integração entre os países amazônicos.
O projeto também promove o intercâmbio cultural ao receber estudantes de outros países. Recentemente, um grupo de 20 alunos de Cusco, no Peru, conheceu a história e os atrativos turísticos de Rio Branco. (Foto: Secom)
Mais do que promover visitas técnicas, o projeto utiliza o turismo como ferramenta de educação, preservação da memória e valorização da identidade cultural. A iniciativa integra o Plano Municipal de Turismo de Rio Branco, alinhado aos eixos estratégicos de Criatividade e Governança do Destino Turístico Inteligente (DTI), contribuindo diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente Educação de Qualidade (ODS 4), Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11) e Paz, Justiça e Instituições Eficazes (ODS 16).
Ao transformar espaços históricos em salas de aula ao ar livre, Rio Branco demonstra que conhecer o passado é um caminho essencial para formar cidadãos comprometidos com a preservação do patrimônio, a valorização da cultura e a construção de um futuro mais sustentável.
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