
Grunge, punk, hardcore, progressivo, metal. São inúmeras as vertentes do rock’n’roll, gênero marcado pela atitude contestadora, energia e rebeldia que atravessam gerações. Celebrado nessa segunda-feira,13 de julho, Dia Internacional do Rock, o estilo pulsa em Belém por meio de uma cena diversificada, formada por bandas autorais e grupos covers que mantêm vivo um dosmovimentos musicais mais importantes da capitalparaense.
Segundo o músico formado pelo Conservatório Carlos Gomes e pesquisador da cena roqueira de Belém, Elias Cadete, a história do rock na cidade começou ainda nadécada de 1970. Apioneira foi a banda Pantera, que interpretava sucessos da Jovem Guarda. Logo em seguida surgiu, na mesma década, abanda Stress, que colocouBelém no cenário nacionalsendo aprimeira banda de heavy metal do Brasil.

O pesquisador explica que foi nos anos1980 que o rock belenense viveu sua grande expansão, impulsionado pela realização do primeiro Rock in Rio, que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1985.
A partir desse período, a cidade passou a viver uma verdadeiraefervescência musical. Além do surgimento de novos espaços para apresentações, o rock autoral ganhou visibilidade na mídia por meio de programas comoCaravana do Delírio, na rádio, voltado prioritariamente às bandas locais, e do programa de televisãoBalanço do Rock.

Nos anos 1990, o movimento conquistou ainda mais espaço.
Apesar da força da cena atual, o pesquisador avalia que as bandas autorais enfrentam hoje mais dificuldades para encontrar locais de apresentação.
Mesmo assim, ele considera que a produção musical permanece bastante diversa. “O punk rock é bastante presente, além do rock que mistura vários estilos musicais”, observa.

Rui Afonso Paiva, advogado e consultor jurídico da Prefeitura de Belém divide o tempo entre o funcionalismo público e a banda de rock Álibi de Orfeu. Lotado na Secretaria Municipal de Coordenação Geral do Planejamento e Gestão (Segep), ele também é coordenador da Escola de Gestão Pública da Prefeitura.
Rui soma 42 anos de atuação como servidor municipal — praticamente o mesmo tempo de existência da banda Álibi de Orfeu, que completa 40 anos.
Sempre à frente do grupo, Rui atua como baterista e compositor. Ao longo de quatro décadas, a banda passou por diversas formações e transformações musicais.

Com cinco álbuns lançados, o Álibi de Orfeu prepara o sexto trabalho, previsto para este ano. O novo EP será apresentado durante umshow comemorativo pelos 40 anos da banda, marcado para o dia 8 de agosto, no Teatro do Sesi, localizado na Avenida Almirante Barroso, nº 2.540, no bairro do Marco.
O nome da banda faz referência a Orfeu, personagem da mitologia grega conhecido por sua extraordináriahabilidade musical.
Segundo a tradição, Orfeu era poeta, músico e cantor capaz de encantar pessoas, animais, árvores e até pedras com a música. Após perder a esposa, Eurídice, morta por uma serpente, ele desceu ao Submundo para tentar resgatá-la. Comovidos por sua música, Hades e Perséfone permitiram que ela retornasse ao mundo dos vivos, desde que Orfeu não olhasse para trás durante o caminho de volta. Tomado pela dúvida, porém, ele desobedeceu à condição e perdeu Eurídice para sempre.
As composições da banda abordam, principalmente, temas comoamor, questões sociais, desmatamento e crise no campo.
Para Rui, a cena roqueira de Belém vem se fortalecendo.

Outra referência do rock paraense é a banda Delinquentes, com 40 anos de história e que levao hardcore produzido em Belémpara diferentes públicos.
O grupo acumulatrês CDs, dois discos em vinil e um DVDlançados. Surgida na década de 1980, a banda nasceu quando a cidade já começava a consolidar uma pequena cena dedicada ao rock, relembra o vocalista e líder Jayme Katarro.
Atualmente, a banda Delinquentes está levando o rock belenense para o mundo. O grupo está em turnê de 11 dias com shows em várias cidades daAlemanha e da República Tcheca.



As letras da banda abordam principalmentequestões sociais, presentes em trabalhos como Pequenos Delitos (2000), Indiocídio (2010) e Infectus Humanus (2019).
Além da atuação nos palcos, Jayme mantém um estúdio musical voltado aofortalecimento da cena independente.
Para o músico, o rock produzido em Belém é bastante relevante.
Quem aprecia o rock autoral encontra espaços dedicados à valorização da produção local em Belém. Entre eles estão a Discosaoleo, na travessa Campos Sales, nº 628, no bairro da Campina; o Núcleo de Conexões Na Figueredo, localizado na avenida Gentil Bittencourt, nº 449, em Nazaré; o Rock no Porão, na rua Ferreira Cantão, também na Campina; e o Gatos & Ratos, na rua Manoel Barata, nº 1.059, ao lado do Fórum de Icoaraci, no distrito de Icoaraci.