
O Ambulatório de Pele e Feridas do Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, completa três anos de funcionamento com mais de 14.006 atendimentos realizados. O serviço acompanha pacientes com complicações provocadas pela diabetes, doenças vasculares, traumas e outras condições que exigem tratamento especializado para lesões complexas.
Implantado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), em junho de 2023, o ambulatório já se consolidou como referência na assistência especializada. O total de atendimentos representa uma média superior a 4.660 assistências por ano.
A diretora-geral do Hospital de Emergência do Agreste, Bárbara Albuquerque, destacou a importância da ampliação dos serviços especializados na unidade. “Ao longo dos anos, o hospital passou a contar com novos serviços especializados, ampliando a assistência oferecida à população. O Ambulatório de Pele e Feridas integra esse conjunto de iniciativas que contribuem diretamente para a recuperação dos pacientes e para a capacidade do HEA de salvar vidas”, afirmou.
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Atendimento
Integrado ao Serviço de Atenção à Pele e Feridas do HEA, o ambulatório atende pacientes de Arapiraca e de outros 46 municípios da II Macrorregião de Saúde, que abrange as regiões do Agreste, Sertão e Baixo São Francisco. O acompanhamento é feito por uma equipe multiprofissional, que atua desde o período de internação até a recuperação das lesões, além de fazer curativos em pacientes que necessitam de tratamento contínuo.
A enfermeira Versiane Magalhães, coordenadora do Serviço de Atenção à Pele e Feridas e responsável pelo ambulatório, explica que o trabalho surgiu para garantir a continuidade do tratamento após a alta hospitalar. “Esses pacientes chegam ao hospital regulados pelo Estado, passam pelo tratamento durante a internação e, muitas vezes, recebem alta antes do fechamento completo das lesões. O ambulatório foi criado para dar sequência a esse cuidado”, explicou.
Segundo a enfermeira, a maior parte dos atendimentos envolve homens entre 50 e 70 anos, principalmente pessoas com diabetes e hipertensão. O serviço também acompanha pacientes com úlceras venosas, amputações traumáticas e lesões decorrentes de acidentes de trânsito.
Além dos curativos e do acompanhamento especializado, a equipe orienta os pacientes sobre os cuidados que devem ser mantidos fora do ambulatório. As recomendações incluem o controle da diabetes e de outras doenças, alimentação adequada com acompanhamento nutricional, uso correto das medicações, higiene das lesões e comparecimento às consultas de retorno.
Trabalho integrado
Coordenador do Serviço de Cirurgia Vascular do HEA, o cirurgião vascular Achilles Lima destaca que os resultados alcançados ao longo dos três anos são consequência do trabalho integrado entre a equipe vascular e o Serviço de Atenção à Pele e Feridas. “Aqui, trabalhamos em grupo. O vascular sozinho não conseguiria fazer esse trabalho, assim como a equipe de curativos também não. Um complementa o trabalho do outro. É essa parceria que tem permitido salvar membros e oferecer uma assistência mais resolutiva aos pacientes”, afirmou.
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Segundo o especialista, o ambulatório acompanha diferentes tipos de lesões, desde complicações provocadas pela diabetes até ferimentos causados por acidentes graves. “Recebemos pacientes com lesões extensas e casos bastante complexos. Muitas vezes conseguimos preservar membros que, em outra perspectiva, seriam amputados. Em outras situações, reduzimos os danos e proporcionamos uma recuperação melhor para o paciente. Isso é resultado de acompanhamento contínuo e trabalho em equipe”, ressaltou.
Beneficiados
Um dos pacientes atendidos é José Valmir Marcos da Silva, de 49 anos, morador de Arapiraca. Ele procurou assistência médica após complicações provocadas pela diabetes, que resultaram na amputação de parte da perna direita. Atualmente, segue em tratamento da perna esquerda. “Eu acho que não estaria nem vivo se não existisse esse serviço. Elas me ajudaram muito. Hoje estou bem melhor, graças a Deus e a estes anjos que chegaram à minha vida”, afirmou.
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A filha dele, Maria Gabriela Soares da Silva, de 19 anos, acompanha a recuperação do pai e relembra a gravidade da situação enfrentada pela família. “Quando ele chegou ao hospital, estava muito debilitado. A gente tinha medo de perder meu pai. A situação agora é outra, e isso aconteceu por causa do tratamento que ele recebeu”, relatou.
O ambulatório também acompanha pacientes vítimas de trauma, como Ana Vitória Conceição, de 25 anos, que sofreu um acidente de motocicleta que provocou uma complicação vascular grave no braço esquerdo. O marido dela, Paulo Sérgio Gomes de Melo, recorda os momentos de apreensão vividos pela família e a decisão da equipe médica para evitar a amputação. “A equipe do ambulatório não só salvou o braço, como ela continua em acompanhamento e recebendo toda a assistência necessária”, disse.