
Nos dias 9, 16 e 23 de junho, a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Proex-UEPG) realizou um programa de capacitação a professores, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Ponta Grossa. Na ocasião, foram desenvolvidas atividades de formação e uma oficina cultural na Galeria de Arte da Proex. Os professores que participaram do programa fazem parte da Rede Municipal de Ensino e trabalham com o componente curricular de Arte.
A proposta foi proporcionar aos professores uma experiência formativa em uma galeria de arte, ampliando seu repertório artístico, cultural e pedagógico, por meio da apreciação das obras e da compreensão dos processos de curadoria, montagem e mediação de uma exposição artística. “Nosso objetivo final, a partir da formação, é que as experiências vivenciadas por esses professores possam ser transformadas em práticas pedagógicas significativas na sala de aula”, afirmou Milene Karau, coordenadora da Área de Ensino de Arte da SME.
No encontro final, que aconteceu no dia 23 de junho, uma oficina foi realizada pela professora Patricia Câmera, do Departamento de Artes Visuais da UEPG. Cada professora recebeu um “passaporte das memórias” para que, como viajantes, pudessem explorar a instalação artística “Entre Símbolos e Memórias”, de Maria Cheung. “A oficina propunha elaborar um processo de mediação da exposição, trabalhando com memória e produção autobiográfica. Além disso, discutimos sobre espaços artísticos, como a Galeria de Arte da Proex, sobre leituras da arte conceitual e sobre como trabalhar esses conceitos em sala de aula com as crianças”, disse Câmera.
Exposição “Entre Símbolos e Memórias”, de Maria Cheung
A exposição teve curadoria da professora Patricia Câmera e do professor Nelson Silva Júnior, ambos do Diretora de Assuntos Culturais da UEPG. De acordo com Câmera, “selecionar as obras que estiveram na galeria da Proex-UEPG foi muito mais que curadoria, foi uma verdadeira aula de sensibilidade, história, arte e resistência”.
A instalação reuniu peças das séries de processos artísticos “Fósseis de Mim”, “Nui”, “Nui Toy” e “Regresso”, produzidos por Cheung desde 1998. Segundo Cheung, “uma das reflexões do trabalho é o doloroso universo feminino chinês, motivado pela postura dominadora masculina do século XIX, que impunha às mulheres enfaixarem os pés para não crescerem mais que oito centímetros, com a desculpa de que assim ficariam mais femininas e sensuais, mas cujo verdadeiro sentido era tirar a autonomia de seus próprios passos”.
Já a série “Nui Toy” coloca na parede, em pequenas cadeiras, dezenas de bonecos, todos homens e sem roupa, pintado de dourado. Ao lado, pequenos caixões cor-de-rosa guardam chupetas, sapatinhos de bebê, bicos, brinquedos, bonecas. Para a artista, “este trabalho fala da dor das meninas e a preferência das famílias chinesas pelos meninos, evidenciado durante o período de controle de natalidade na China.
Maria Cheung é chinesa, naturalizada brasileira. Seu nome de nascimento é Miu Kuen, que significa beleza e delicadeza em cantonês. Seu trabalho é evidenciado por resgate cultural através de instalações de arte conceitual. “Independente do que os expectadores possam sentir ao visitarem a exposição, para mim é muito importante que conheçam a minha história e relacionar com o conceito do meu trabalho. Sempre é muito gratificante receber os feedbacks e perceber que os trabalhos emocionam”, relatou Cheung.
Texto: Flávio Crispim | Fotos: Larissa Godoy




