
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), apresentou as experiências do Estado em bioeconomia e participou de debates sobre transição justa e financiamento climático durante a II Semana do Clima da Amazônia, realizada nesta terça-feira (30), em Belém. Representando a Secretaria, a secretária adjunta de Bioeconomia, Camille Bemerguy, integrou a programação com a apresentação do Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio) e participou de painéis que reuniram representantes do poder público, da iniciativa privada, de instituições financeiras e da sociedade civil.
Realizada poucos meses após a COP30, sediada na capital paraense, a II Semana do Clima da Amazônia reafirma Belém como espaço estratégico para o diálogo sobre clima, desenvolvimento sustentável e bioeconomia, reunindo lideranças nacionais e internacionais para discutir soluções voltadas ao futuro da Amazônia.
Experiência paraense
A participação da Semas começou na reunião do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, que reuniu representantes dos estados amazônicos para debater estratégias de fortalecimento da bioeconomia e da agenda climática.
Na ocasião, Camille Bemerguy apresentou o Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio), política pública do Governo do Pará voltada à promoção do uso sustentável da biodiversidade, ao incentivo à inovação, à agregação de valor aos ativos da floresta e à geração de renda para povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.
O encontro também possibilitou a troca de experiências entre os estados da Amazônia Legal e o fortalecimento do diálogo sobre políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da região.
Transição justa
A construção de uma economia de baixo carbono que promova inclusão social foi tema do painel "Transição Justa no Brasil: Um Caminho que Emerge da Amazônia", mediado por Daniel Nardim, da Amazônia Vox.
Durante o debate, Camille Bemerguy destacou que a mudança do modelo econômico precisa estar associada à geração de oportunidades para quem vive na Amazônia.
"Quando falamos em transição justa, a primeira pergunta precisa ser: transição para qual modelo econômico? Não basta migrar para um modelo mais sustentável se ele continuar reproduzindo desigualdades. A Amazônia já viveu muitas transições e, em muitos desses processos, a riqueza saiu daqui enquanto a população permaneceu excluída. O desafio agora é construir um modelo que concilie conservação, desenvolvimento e prosperidade para quem vive no território", afirmou.
Também participante do painel, a Jovem Embaixadora da ONU, Karla Braga, ressaltou que a dimensão social deve ocupar posição central na agenda climática.
"Quando falamos da parte 'justa' da transição, estamos falando de pessoas. Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, mulheres e jovens precisam participar desse processo e ter seus direitos garantidos. É preciso oferecer trabalho digno e políticas públicas que transformem o potencial da bioeconomia em oportunidades reais nos territórios", destacou.
Financiamento da bioeconomia
Os mecanismos de financiamento para impulsionar a sociobioeconomia também estiveram em pauta no painel "Sociobioeconomia e Financiamento", que reuniu representantes do setor público, instituições financeiras, iniciativa privada e organizações da sociedade civil.
Ao abordar os desafios para ampliar o acesso aos recursos, Camille Bemerguy destacou que a adaptação dos instrumentos financeiros às características da Amazônia é fundamental para garantir uma transição econômica inclusiva.
"Desenvolver instrumentos financeiros adequados é reconhecer as características do território amazônico. Precisamos adaptar linhas de crédito, fundos garantidores e formar agentes que compreendam a realidade da bioeconomia na Amazônia. Enquanto isso não acontecer, corremos o risco de ampliar as desigualdades em vez de reduzi-las", afirmou.
Representando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Gustavo Bretas ressaltou que, além da adaptação dos mecanismos de financiamento, é necessário fortalecer a estruturação dos projetos apresentados pelos empreendedores.
"O empreendedor conhece bem o seu negócio, mas o banco precisa compreender o projeto. É importante detalhar como os recursos serão utilizados, quais investimentos serão realizados e quais resultados serão alcançados. Adaptar os instrumentos financeiros é fundamental, mas estruturar projetos consistentes também é indispensável para que os recursos cheguem aos territórios", explicou.