Sexta, 26 de Junho de 2026
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Pará segue como segundo maior produtor nacional de pimenta-do-reino

Expansão no valor da produção em 2023 foi de 147,4%. Pará é o único entre os cinco principais estados produtores a apresentar crescimento no período

Por: Editoração Fonte: Secom Pará
26/06/2026 às 15h00
Pará segue como segundo maior produtor nacional de pimenta-do-reino
Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

A Nota Técnica “O Contexto Econômico e Ambiental da Pimenta-do-reino 2026” é mais um estudo publicado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), que permite avaliar a trajetória estrutural da pipericultura no Brasil e, em especial, no Pará, considerando a evolução da produção, da participação nacional, da produtividade física e do valor da produção em termos reais.

Matéria prima com alcance global, a pimenta-do-reino é considerada uma commodity agrícola de peso, com cotação internacional e grande escala de exportação. No Brasil, que é um dos maiores produtores e exportadores do mundo, a evolução da produção brasileira de pimenta-do-reino passou de 59,4 mil toneladas e alcançou 124,9 mil toneladas, entre os anos de 1988 e 2024, com crescimento de 110,3%.

Os dados oficiais apontam que o estado do Pará permanece como segundo maior produtor nacional de pimenta-do-reino, totalizando 41,6 mil toneladas e 33,3% de participação na produção nacional, sendo o único entre os cinco principais estados a apresentar crescimento no período com variação positiva de 9,1%, entre 2023 e 2024. O estado fica atrás apenas do estado do Espírito Santo que detém 58,8% da produção no Brasil.

Quanto à concentração territorial da atividade no estado, três municípios paraenses estão entre os dez principais municípios brasileiros produtores de pimenta-do-reino, que respondem por mais de 50% da produção nacional, em 2024. São eles: Tomé-Açu com 4,7% da produção ocupando a 4ª posição, Baião com 3,1% na 9ª posição e Igarapé-Açu com 3,0%, ocupando a 10ª posição da lista de municípios brasileiros produtores. Destaque para a cidade de Baião que apresentou o maior crescimento percentual entre 2023 e 2024, com expansão de 61% na produção da commodity agrícola.

Em 2024, o Pará registrou Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de R$ 1.248,4 milhões, sendo que 27 municípios apresentaram valores acima da média estadual de R$ 8,7 milhões. Destaque para Tomé-Açu, com R$ 172,3 milhões e 13,8% de participação no total estadual, seguido por Igarapé-Açu (R$ 116,2 milhões; 9,3%) e Baião (R$ 103,4 milhões; 8,3%).

Valor da produção e valorização econômica da cultura no país

Entre 1994 e 2024, o valor da produção de pimenta-do-reino no Brasil apresentou trajetória de crescimento no longo prazo. Em 1994, o valor gerado pela atividade foi de R$ 403,7 milhões, já em 2024, atingiu aproximadamente R$ 3,6 bilhões. O que representou crescimento de 810,2% no período, com taxa média anual de expansão de 11,8%.

Ainda no último ano da série, o valor da produção cresceu 107,4% em relação ao ano anterior, alcançando o maior nível de toda a série histórica. Esse salto está associado principalmente: à elevação dos preços da pimenta-do-reino no mercado; fatores climáticos que afetaram a produção recente, e a demanda pelo produto permaneceu elevada, o que contribuiu para impulsionar o valor monetário da atividade.

Nos anos de 2023 e 2024, a distribuição do valor da produção entre os estados, também, apresentou elevada concentração regional, uma vez que cinco estados responderam por mais de 99% do valor total produzido no país. Nesse contexto, o Pará ocupou a segunda posição nacional em 2024, contribuindo com 34% de participação do valor da produção, enquanto o Espírito Santo manteve a liderança.

Em 2023, os dados apontaram o destaque para o Pará, que apresentou expansão de 147,4%, configurando o melhor desempenho entre os cinco principais estados produtores que, também, registraram crescimento no valor produzido.

Comercialização externa- quanto ao Preço de exportação US$/kg da pimenta-do-reino o pico histórico ocorreu 2011 – 2016 quando alcançou o valor de US$ 9,0/kg. Em 2025, o valor da exportação esteve em US$ 6,7/kg no Pará, e US$ 6,1/kg no restante do Brasil, tendo como principais destinos no ano de 2025, a Alemanha com 3.734,0 toneladas exportadas, totalizando 23,5%, o Vietnã com 3.226,1 toneladas e 20,3% e os Países Baixos com 1.751,0 toneladas, que representou 11,0% das exportações.

Como principais destinos por continente em 2025, a Europa foi o principal destino exportando 7.676,7 toneladas, representando 40,6% das exportações e alta de +3,8% no período. A Europa ganha peso e o destaque para o continente africano que surge como oportunidade, a África exportou 1.068,1 toneladas, totalizando 5,7% das exportações e alta expressiva +37,8%.

Empreendimentos no Pará e geração de empregos formais

Em 1986, o Pará apresentava aproximadamente 7,8 mil estabelecimentos de produção de pimenta-do-reino. Ao longo do período, entre 1986 até 2025, os números cresceram de forma consistente até alcançar 25.880 estabelecimentos produtores. Esses dados indicam a expansão da cadeia produtiva da pimenta-do-reino no país, e a consolidação do Pará como principal polo produtor, com crescimento expressivo e participação cada vez mais relevante no total nacional ao longo das décadas.

Em relação a geração de empregos no Pará, o estado concentra cerca de um terço dos empregos totais da cadeia no Brasil. Os números da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) apontam que foram registrados 2.568 empregos, sendo 490 diretos e 2.078 indiretos, o que também revela forte dependência das atividades indiretas. Esse recorte aponta que, além da produção agrícola em si, a cadeia da pimenta-do-reino possui elevada capacidade de geração de empregos ao longo de diferentes segmentos econômicos.

“A pimenta-do-reino continua sendo um dos principais produtos do agro paraense. O estudo da Fapespa mostra, claramente, o efeito da sazonalidade tanto na produção da pimenta-do-reino como no seu balanço econômico para os nossos produtores. A guarda, a vida de prateleira da pimenta-do-reino, pode ser estendida em alguns anos através desses estudos potenciais que foram fomentados pela Fapespa. Isso faz com que o jogo mude, completamente, fazendo com que essa sazonalidade seja superada pelo poder de guarda da vida de prateleira da pimenta. São estudos promissores que nós esperamos que, no curto espaço de tempo, chegue ao produtor rural, chegue ao mercado paraense, para que nós tenhamos uma virada de chave nessa importante cadeia produtiva do agronegócio paraense”, explicou Marcel Botelho, presidente da Fapespa.

A Nota Técnica elaborada pela Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (DIEPSAC) da Fapespa abrange uma observação integrada de indicadores que possibilitam identificar a direção do movimento da atividade, bem como o posicionamento relativo do estado do Pará no contexto nacional da produção e cultivo da pimenta-do-reino.

Serviço:

Para mais informações e detalhes sobre o estudo, confira o material completo no site da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

*Texto: Jeisa Nascimento, estagiária, sob supervisão da jornalista Manuela Oliveira da Ascom/Fapespa

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