
A construção do Plano de Gestão do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia, no Oeste paraense, deu mais um passo importante com a realização da Oficina de Elaboração, no Distrito de Monte Dourado, localizado a cerca de 125 quilômetros da sede de Almeirim, próximo à divisa com o Estado do Amapá. A iniciativa reuniu representantes do poder público, da sociedade civil e instituições parceiras em um amplo processo de diálogo e construção coletiva para o futuro da unidade de conservação.
A programação foi conduzida pelas equipes da Diretoria de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação (DGMUC), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), por meio da Comissão de Planos de Manejo (Coplam) e da Gerência da Região Administrativa da Calha Norte III (GRCN III), em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS). O Conselho Gestor do Parque, composto por representantes de instituições públicas, privadas e da sociedade civil, também teve participação ativa nas discussões.
O Plano de Gestão é um dos instrumentos mais importantes para a administração de uma unidade de conservação. O documento estabelece diretrizes, normas e estratégias para a proteção do patrimônio natural, o ordenamento do uso público, a promoção de pesquisas científicas e a participação das comunidades que vivem no entorno da área protegida, garantindo que as ações de conservação ocorram de maneira integrada e sustentável.
Criado em 2023 pelo governo do Estado, o Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia tem relevância internacional por abrigar alguns dos maiores exemplares arbóreos da floresta amazônica. Entre eles está um imponente Angelim-vermelho de 88,5 metros de altura — o equivalente a um edifício de aproximadamente 30 andares — reconhecido como a maior árvore da América Latina e uma das cinco maiores do planeta.
Diálogo -O processo de elaboração do Plano de Gestão vem sendo construído de forma participativa desde as etapas iniciais. Antes da oficina em Monte Dourado, o Ideflor-Bio realizou escuta com o Conselho Gestor, povos originários e comunidades tradicionais do entorno da unidade, incluindo a comunidade do Iratapuru e outras próximas ao Parque. A metodologia adotada pelo Instituto prioriza o diálogo territorial e a incorporação dos conhecimentos e das demandas das populações que mantêm relação direta com a área protegida.
Responsável pela gestão do Parque, o gerente da Região Administrativa da Calha Norte III, Lândio França, destacou a importância da construção coletiva do documento. “Estamos consolidando um processo de gestão que nasce do diálogo e do reconhecimento das especificidades da região. O Plano de Gestão será uma ferramenta essencial para orientar a conservação das árvores gigantes e, ao mesmo tempo, fortalecer a participação das comunidades e instituições parceiras na proteção desse patrimônio natural único no mundo”, informou.
Participação Igualitária -A analista ambiental do Ideflor-Bio, Lorena Lisboa, ressaltou que a metodologia empregada buscou garantir ampla representatividade durante as discussões. “A construção desse plano foi pensada para ouvir os diferentes atores que se relacionam com a unidade de conservação. Desde o Conselho Gestor até os povos originários e comunidades tradicionais, cada contribuição é fundamental para que o documento reflita a realidade do território e promova uma gestão mais eficiente e participativa”, disse a analista.
Para o diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação do Ideflor-Bio, Ellivelton Carvalho, o processo representa um marco para a consolidação do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia. “Estamos falando de uma unidade de conservação que abriga um patrimônio natural de relevância mundial. Elaborar seu Plano de Gestão de maneira participativa significa construir as bases para uma proteção duradoura, capaz de conciliar conservação, conhecimento científico e valorização das populações que fazem parte dessa região extraordinária da Amazônia”, reiterou.