
Em meio às paisagens naturais do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas, em São Geraldo do Araguaia, no Sudeste paraense, uma tradição centenária demonstra que a preservação ambiental e a valorização da cultura popular podem caminhar lado a lado. Realizado anualmente na região, o Festejo do Divino Espírito Santo representa muito mais do que uma celebração religiosa: é um exemplo de como as comunidades locais podem manter vivas suas tradições sem abrir mão do compromisso com a conservação da natureza.
As unidades de conservação de proteção integral, neste caso, geridas pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), possuem como principal objetivo garantir a preservação dos ecossistemas e da biodiversidade. No entanto, essas áreas também guardam histórias, memórias e manifestações culturais construídas ao longo de gerações. Quando organizadas de forma planejada e respeitando as normas ambientais, atividades tradicionais podem contribuir para fortalecer o vínculo entre as pessoas e os territórios protegidos.
O Festejo do Divino Espírito Santo é uma dessas expressões culturais que atravessam décadas e permanecem profundamente conectadas à identidade das comunidades do entorno da Serra das Andorinhas. A celebração reúne famílias, romeiros e visitantes em momentos de fé, convivência comunitária e valorização das tradições locais, reforçando o sentimento de pertencimento à região.
O início da manifestação religiosa -A origem da festividade está ligada a uma história de devoção e agradecimento. Segundo a tradição local, um homem que se perdeu na Serra das Andorinhas prometeu retornar todos os anos ao local caso encontrasse o caminho de volta. Após ser salvo, cumpriu sua promessa, dando início a uma manifestação religiosa que, ao longo do tempo, transformou-se em um dos mais importantes eventos culturais do sudeste paraense.
Mais do que preservar uma celebração religiosa, o festejo contribui para a transmissão de conhecimentos e costumes entre gerações. Crianças, jovens e idosos compartilham experiências, histórias e práticas tradicionais que ajudam a manter viva a memória coletiva das comunidades, fortalecendo valores de respeito, solidariedade e cooperação.
Planejamento -A realização da festividade em uma unidade de conservação exige planejamento e acompanhamento constantes. Nesse contexto, a atuação do órgão gestor torna-se fundamental para garantir que a presença dos visitantes ocorra de forma ordenada e compatível com os objetivos de conservação da área protegida. Medidas como orientação aos participantes, organização dos espaços e suporte operacional contribuem para minimizar impactos ambientais e promover o uso responsável do território.
O Ideflor-Bio, responsável pela gestão do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas, por meio da Gerência da Região Administrativa do Araguaia (GRA), atua nesse processo por meio de ações de apoio, monitoramento e educação ambiental. A presença das equipes durante o festejo auxilia na conscientização dos participantes sobre a importância da preservação dos recursos naturais e do patrimônio cultural existente na região.
Para a gerente da Região Administrativa do Araguaia do Ideflor-Bio, Laís Mercedes, a convivência harmoniosa entre natureza e cultura demonstra que a conservação ambiental não depende apenas de regras e fiscalização, mas também do envolvimento das pessoas que mantêm uma relação histórica com o território. Segundo ela, quando as comunidades reconhecem o valor ambiental das áreas protegidas, tornam-se aliadas importantes na proteção da biodiversidade e na defesa do patrimônio natural.
“Ao mesmo tempo, a realização de eventos tradicionais em espaços protegidos reforça a percepção de que a natureza faz parte da identidade cultural das populações locais. A paisagem, os rios, as serras e as florestas deixam de ser apenas cenários e passam a ser elementos centrais das histórias, crenças e práticas que constituem a vida comunitária”, enfatiza a gerente.
Texto em colaboração com Lui Sousa (Ascom/Ideflor-Bio)