
O Paraná teve destaque na primeira edição do Mundial da Erva-Mate, entre os dias 5 e 7 de junho, no Museo del Mate, em Buenos Aires, na Argentina, com empresas premiadas em diferentes categorias do concurso internacional. O evento reuniu produtores e marcas de vários países e avaliou mais de 400 amostras em degustações conduzidas por especialistas da área.
No evento, 20 empresas paranaenses conquistaram 29 medalhas nas categorias Prata, Ouro e Grande Ouro, além de dois reconhecimentos especiais de excelência, consideradas as principais premiações da competição.
A Erva Mate Zampier, de São Mateus do Sul, no Sul do Estado, recebeu o prêmio de excelência na categoria “Chá-Mate”, com um drip de erva-mate. Inspirada no preparo do drip coffee, a solução utiliza um filtro individual acoplado à caneca, permitindo o preparo da bebida de forma prática, com infusão direta em água quente e sem necessidade de bomba ou cuia tradicional.
Angela Zampier, sócia da empresa premiada, conta que a concepção do produto se deu a partir de uma consultoria da Invest Paraná, agência de promoção de investimentos do Governo do Estado. “A ideia de desenvolver o drip de erva-mate surgiu a partir da degustação que fizemos na Invest Paraná e de como poderíamos apresentar o nosso chá para um público diferenciado de forma versátil. O drip foi sugerido por ser uma inovação, versátil e possuir filtro individual”, conta.
Bruno Banzato, gerente de Desenvolvimento Econômico da agência, é responsável pelo programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS), que trabalha com cadeias de valor no Estado, dentre elas a erva-mate, em especial na região de São Mateus do Sul. A consultoria prestada à Zampier se deu por meio desse trabalho. “Quando começamos a atuar com o VRS no Centro-Sul, em 2022, identificamos demandas do setor em algumas áreas, especialmente as de produtos inovadores, identidade e promoção da erva-mate. Foi uma jornada de reconhecimento e valorização desse território”, disse.
A conquista da premiação, segundo Angela, atesta todo o trabalho, desde o manejo até o beneficiamento da erva-mate. “Sabemos da importância de integrar as práticas silviculturais, preservação do solo, conservação das nascentes, utilização de bom material genético. O resultado é a qualidade do produto”, afirma.

Já a marca E Aí Bora?, de Guarapuava, no Centro-Sul, recebeu o prêmio de excelência como “Melhor Produto Gastronômico Funcional”, com o produto inédito “Matuccino”, uma mistura em pó para preparo instantâneo elaborada com extrato de erva-mate tostada, ingredientes lácteos, leite de coco, fibras alimentares, especiarias e aromas, desenvolvida para proporcionar uma experiência semelhante a bebidas do tipo cappuccino, agregando os benefícios e características da erva-mate. O produto deve ser lançado em breve no mercado.
Para a CEO da empresa, Dayana Lubian Jankowski, o reconhecimento internacional traz segurança sobre o posicionamento e atuação da marca. “Trabalhei por 10 anos na indústria tradicional de erva-mate e faz um ano que eu estou vivendo só da inovação. Ter ganho esse prêmio mostra que estou no caminho certo, que trabalhar com a inovação e com a pesquisa, por mais que pareça loucura, e às vezes difícil, dá certo ao longo do tempo”, afirma.
EMPRESAS PREMIADAS- O concurso internacional adotou um sistema semelhante ao utilizado em competições de vinho e café, com avaliação técnica por pontuação. As amostras foram analisadas sem identificação das marcas, considerando atributos como aroma, sabor, equilíbrio e características da moagem.
A partir das notas, os produtos receberam medalhas Prata, Ouro e Grande Ouro. Além dos reconhecimentos especiais da Zampier e da E Aí Bora?, o Paraná acumulou premiações em diversas categorias do Mundial.
Na categoria Prata, foram reconhecidas as empresas Baita Erva-Mate, Erva-Mate Giotti, Erva-Mate Paraná, Erva-Mate São José, Erva-Mate Tia Joana, Erva-Mate Trot’s, Indústria de Erva Mate Viola de Ouro, Indústria Ervateira Verdelândia, Manos & Hermanos, Mattea e Obby Natural.
Na categoria Ouro, o Paraná foi destaque com Companhia Paranaense do Matte, E Aí Bora?, EKOA, Erva-Mate São José, Erva-Mate Turvo, Ervateira Maracanã, Indústria Mate Laranjeiras, Manos & Hermanos, Mate Real, Mattea e Trot’s.
Já na categoria Grande Ouro, considerada uma das mais altas do concurso, foram premiadas as marcas Baita Erva-Mate, Bitumirim, E Aí Bora?, Erva Mate Zampier, Erva-Mate Giotti, Trot’s e Vivenda do Mate.
CAPACITAÇÃO E PROMOÇÃO– Boa parte das empresas reconhecidas na premiação internacional participa de ações de apoio à internacionalização e fortalecimento da cadeia produtiva promovidas pela Invest Paraná. As ações vão desde representação gratuita em missões internacionais voltadas à abertura de mercado, a iniciativas de apoio e capacitação dos produtores de erva-mate pelo programa VRS.
A premiada Erva Mate Zampier, além de receber consultoria e participar das ações do VRS, também já foi representada pela Invest Paraná em feiras internacionais. Somente neste ano, a ervateira esteve por meio da agência na ExpoAntad, no México, e na Aahar, na Índia, duas grandes feiras do setor de alimentos e bebidas.
A gerente de Relações Internacionais e Institucionais da Invest Paraná, Bruna Radaelli, afirma que produtos inovadores e com valor agregado apresentam grande potencial para a exportação e chamam atenção nas feiras, com negócios e contatos prospectados a partir do interesse gerado. “Quando o Paraná apresenta produtos inovadores, que unem qualidade e novos formatos de consumo, conseguimos ampliar o interesse internacional pela erva-mate paranaense. Esses reconhecimentos ajudam a abrir portas para produtos premium, que têm grande procura, além de gerar conexões comerciais e mostrar ao mercado externo a capacidade de inovação das empresas do Estado”, destaca.
Segundo Angela, o apoio da Invest Paraná é essencial para o crescimento e internacionalização da empresa. “A Invest Paraná é uma agência que tem uma capilaridade e consegue promover a ligação de produtos com uma rede de interessados que estão nas mais variadas escalas, incluindo a escala internacional. Tem um corpo técnico especializado que cobre as limitações para que possamos dar passos maiores”.
Outra frente de atuação da agência no âmbito do programa VRS é o projeto Meta 3, por meio do qual produtores e empresários passam por capacitações quanto à padronização de qualidade dos produtos e adequações de marca para o mercado nacional e internacional. O projeto também deve construir uma marca identificadora e um sistema de rastreamento da erva-mate paranaense.
TURISMO É PRODUÇÃO TÍPICA- O fato de o Brasil ser o maior produtor de erva-mate do mundo - e o Paraná líder nacional -, torna o Estado um solo fértil para produções diferenciadas, com qualidade acima da média e, inclusive, com potencial para atrair viajantes. A erva-mate de São Mateus do Sul (reconhecida com selo de Indicação Geográfica, concedido a municípios da Região de São Mateus), por exemplo, tem um peso cultural e turístico muito grande, sendo o carro-chefe de uma série de atrativos e experiências.
A cidade do Sul do Estado conta com visitas guiadas em produções de erva-mate, chimarródromo público e até rota dedicada à planta, passando por diferentes ervaterias e lojas que trabalham com o item - incluindo cervejarias. Segundo Eva Blaszczyk, turismóloga e proprietária da Vivenda do Mate, outro empreendimento medalhista na competição na Argentina, o prêmio traz mais visibilidade turística ao local.
“Reforça a excelência da erva-mate produzida na região, fortalecendo nossa identidade ervateira e abrindo novas oportunidades. Também ajuda a posicionar São Mateus do Sul como um destino turístico especial, mostrando que tradição, cultura e território podem gerar experiências únicas e conquistar nomeações mundiais”, diz Eva.
Segundo Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná - órgão de promoção vinculado à Secretaria Estadual do Turismo -, quando produtos estaduais são reconhecidos, seja em grandes competições ou pela própria Indicação Geográfica, o turismo do Estado também é um vencedor e tem suas atividades fomentadas, porque o setor usa esses itens para complementar a experiência e transmitir mais identidade.
“É o que aconteceu com a Bala de Banana de Antonina, com a Carne de Onça de Curitiba e com tantos outros produtos típicos e com selo de IG que, hoje, são inseparáveis da oferta turística em nossos destinos. O trade e grandes operadoras sabem do potencial paranaense. Exemplo disso: quem faz o passeio de trem pela Serra do Mar já costuma comprar um pacote que inclui almoço com Barreado em Morretes. Essa oferta já é disponível nas próprias agências”, diz Cortes.