
O Arquivo Público do Pará Zeno Veloso (APEP) realizou, nesta sexta-feira (12), uma programação especial em alusão à 10ª Semana Nacional de Arquivos. O evento reuniu professores, estudantes e servidores para discutir temas relacionados à memória, direitos humanos, justiça social e ao papel dos arquivos na sociedade.
A programação teve início às 9h com a palestra do Prof. Dr. Antônio Gouveia, que abordou a necessidade de uma nova perspectiva sobre a preservação e disponibilização de documentos relacionados a grupos historicamente silenciados. Durante a apresentação, o pesquisador destacou a importância de garantir visibilidade e acesso às informações que retratam a trajetória de populações negras, indígenas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, contribuindo para uma construção mais inclusiva da memória social.
Em seguida, às 10h, o Prof. Dr. Thiago Broni ministrou uma palestra sobre a construção da Rodovia Transamazônica durante o período da Ditadura Civil-Militar. O pesquisador apresentou reflexões sobre os impactos sociais provocados pela obra na região amazônica, especialmente os conflitos agrários e fundiários decorrentes do processo de ocupação territorial.
De acordo com o diretor do Arquivo Público, Leonardo Torii, os temas abordados nas palestras promovem reflexões importantes sobre questões sensíveis e atuais. Segundo ele, a discussão sobre grupos historicamente marginalizados contribui para compreender como essas populações se identificam com a documentação preservada pelos arquivos e como as instituições podem ampliar o acesso a essas informações.
“É uma discussão a respeito de como grupos que foram silenciados pela história, grupos marginalizados, se identificam com essa documentação e como o arquivo disponibiliza essas informações para mulheres, negros e indígenas. É importante que os arquivos estejam preparados para receber essas pessoas”, destacou.
A 10ª Semana Nacional de Arquivos é um evento anual promovido pelo Arquivo Nacional com o objetivo de difundir iniciativas arquivísticas e promover o debate sobre o papel dos arquivos na sociedade. No âmbito da justiça social, os arquivos têm enfatizado seu papel na representação, no reconhecimento e na inclusão de grupos historicamente marginalizados.
O professor Antônio Gouveia destacou que a programação também busca sensibilizar a população sobre a importância da preservação documental e do acesso aos arquivos públicos. "Garantir a preservação e a disponibilidade desses acervos é fundamental para fortalecer a memória coletiva, assegurar direitos e ampliar o acesso à informação", aponta.
Além das discussões sobre memória, inclusão e acesso à informação, o encontro também trouxe reflexões sobre acontecimentos históricos que marcaram a região amazônica e cujos impactos permanecem presentes na sociedade atual.
Durante sua participação, o professor Thiago Broni destacou a importância de apresentar pesquisas já desenvolvidas para incentivar novos estudos e ampliar o acesso ao conhecimento produzido a partir de fontes documentais.
Segundo ele, a disponibilização de acervos pelo Arquivo Público do Estado do Pará representa uma oportunidade para que pesquisadores e a sociedade tenham contato com documentos que ajudam a compreender processos históricos da região.
Entre os participantes, a estudante de Arquivologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Thammy Ferreira, destacou a relevância dos temas abordados durante a programação. "As palestras contribuíram para ampliar a compreensão sobre o papel dos arquivos na sociedade, sua relação com a memória, com os direitos humanos, justiça social, entre outras", conta.
A programação da 10ª Semana Nacional de Arquivos continua com a exposição “Memória e Repressão: Ditadura Civil-Militar nos Documentos do Arquivo Público”, aberta ao público até o dia 30 de junho, no Arquivo Público do Pará Zeno Veloso.
Serviço:
Tema: Arquivos, Democracia e Justiça Social
Até 30/06: Exposição “Memória e repressão: ditadura civil militar nos documentos do Arquivo Público”
Local: Arquivo Público do Pará Zeno Veloso
Horário: De segunda a sexta, das 8h às 14h
Texto de Jhuly Cavalcante, estagiária sob supervisão da jornalista Lorena Saraiva/ Ascom Secult