
Mais de 330 mil estudantes de escolas públicas e privadas de Alagoas participaram nessa terça-feira (9) da aplicação das provas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Maior olimpíada de conhecimento do país e maior olimpíada científica em número de participantes no mundo, a competição mobilizou mais de 18,3 milhões de estudantes em todo o Brasil.
Em todo o estado, 903 escolas aplicaram as provas - sendo 286 da rede estadual de ensino. Os 330 mil estudantes participantes estão espalhados pelos 102 municípios alagoanos.
Organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) em parceria com o Governo Federal, a OBMEP visa estimular o estudo da matemática por meio da descoberta de novos talentos e inclusão social a partir do pagamento de bolsas de iniciação científica para medalhistas.
Em Alagoas, a competição é coordenada pelo Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas (IM-Ufal) e conta com o apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Secretarias Municipais de Educação (Semeds) e Instituto Federal de Alagoas (Ifal).
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Abrangência
Nesta primeira etapa da olimpíada, os estudantes de cada escola competem entre si e os 5% que alcançarem a melhor pontuação avançam para a segunda fase, que será no dia 17 de outubro.
“Nesta segunda fase, os nossos alunos competirão com estudantes de todo o Brasil na busca por medalhas de ouro, prata e bronze, bem como pela chance de conquistar bolsas de iniciação científica de R$ 300 mensais por um ano para os medalhistas”, explica o coordenador da OBMEP em Alagoas, professor Adelailson Peixoto, do IM-Ufal, lembrando que a competição possibilita também uma integração entre a educação básica e o ensino superior.
Já o superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio da Seduc, Ricardo Lisboa, destaca que, este ano, a olimpíada também está atrelada ao “Toda Matemática”, compromisso lançado pelo Governo Federal que pretende potencializar a aprendizagem de matemática por meio de formação, produção de materiais e incentivos financeiros de forma a garantir um ensino de qualidade para os estudantes brasileiros.
“O compromisso Toda Matemática teve a adesão da rede estadual de Alagoas e de redes municipais de todo o estado. Por meio desse compromisso, as redes públicas buscarão estratégias para fomentar a aprendizagem e reverter dificuldades de aprendizado. Um trabalho que já vem sendo feito nas últimas décadas por meio da OBMEP e que agora se fortalece com a chegada do compromisso Toda Matemática”, observa.
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Talento jovem e protagonismo estudantil
A Escola Estadual Princesa Isabel, no Cepa, foi uma das unidades estaduais a aplicar a prova da OBMEP nessa terça-feira (9). Na escola, estudantes do ensino médio participaram da primeira fase da competição com a expectativa de avançar para a próxima etapa e conquistar medalhas.
Entre eles está Kaio Paranhos, de 17 anos, aluno da 3ª série do ensino médio, que já conhece o caminho das premiações. Na edição anterior da olimpíada, ele conquistou medalha de prata na etapa regional e bronze na etapa nacional. Para o estudante, o reconhecimento foi motivo de orgulho e serviu de incentivo para continuar se dedicando à matemática.
“Eu fiquei muito feliz. Foi a minha primeira vez conseguindo uma medalha e foi muito importante para mim”, relata Kaio, que atualmente participa do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC).
Apaixonado pela disciplina desde os primeiros anos escolares, o estudante afirma que sempre teve facilidade com cálculos e atividades de raciocínio lógico. Neste ano, ele volta a fazer a prova com o objetivo de alcançar novos resultados. “Pretendo pelo menos passar para a segunda fase e tentar novamente conquistar outras medalhas”, conta.
O professor de matemática Vitor Ferreira, que acompanha a preparação dos estudantes da unidade, explica que a OBMEP possui um formato diferenciado, voltado não apenas para a aplicação de fórmulas, mas principalmente para o desenvolvimento do pensamento lógico e da resolução de problemas.
“É uma prova que desmistifica um pouco a matemática. Ela não é pensada apenas para que o aluno lembre um cálculo, mas para estimular o raciocínio lógico e diferentes formas de pensar”, observa o docente.
Na Escola Princesa Isabel, a preparação dos alunos ocorre ao longo de todo o ano por meio de oficinas, resolução de problemas e projetos integradores que relacionam a matemática a outras áreas do conhecimento. De acordo com Vitor, esse trabalho contínuo contribui para o amadurecimento dos estudantes e para um melhor desempenho nas competições científicas.
O professor também acompanhou a trajetória de Kaio até a conquista das medalhas. Segundo ele, o estudante sempre demonstrou facilidade com a disciplina e participou ativamente das atividades preparatórias promovidas pela escola.
“Nas oficinas conseguimos identificar alunos com potencial e o Kaio sempre demonstrou um conhecimento diferenciado em matemática. Nosso trabalho foi ajudar a desenvolver esse potencial, mas a conquista também é resultado da dedicação dele”, ressalta.
Edição 2025
A rede estadual de Alagoas somou 91 medalhas na edição 2025 da OBMEP: foram 21 medalhas na esfera nacional da olimpíada e 70 na esfera estadual da competição.
Destas 21 medalhas na esfera nacional, 18 foram de bronze, 2 de prata e 1 de ouro. Além disso, também na esfera nacional, a rede estadual teve ainda 142 menções honrosas na olimpíada - o que eleva o número total de premiados para 163 estudantes - dois professores e quatro escolas da rede estadual.
Os premiados da esfera nacional alcançaram este resultado competindo com estudantes de todo o Brasil. Para se ter ideia do grau de dificuldade, segundo a coordenação estadual da Obmep, 1 em cada 340 alunos conquista uma menção honrosa; 1 em 2770, o bronze; 1 em 9000, a prata e 1 em 36000, o ouro.
A ÒBMEP também entrega medalhas na esfera estadual – que são os estudantes que tiveram os melhores desempenhos nos seus respectivos estados. Na esfera estadual, a rede estadual de Alagoas teve 70 medalhistas, sendo 4 ouros, 19 pratas e 47 bronzes.
Ao todo, Alagoas teve 646 premiados na esfera nacional da olimpíada, dos quais 78 são medalhistas de escolas públicas ou privadas – 60 bronzes, 10 pratas e 8 ouros – e 568 são menções honrosas. Já no âmbito estadual, são 328 medalhistas de escolas públicas ou privadas, dos quais 25 são de ouro, 77 são de prata e 226 são de bronze.