
A Feira de Cordel, que já se tornou tradicional nos eventos realizados pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope), segue neste final de semana com a participação dos cordelistas Mané Gostoso, Claudeth Gomes e Verônica Adelino. Em parceria com o Coletivo Palmas, o evento terá também muito forró com o sanfoneiro Helinho Medeiros e o grupo Fulô de Mussambê. A Feira de Cordel acontece no Busto de Tamandaré, nesta sexta-feira (5) e sábado (6), a partir das 17h. Além de muito forró, há exposição de cordéis, xilogravuras e declamações dos cordelistas.
“Estamos realizando essa ação de valorização da literatura de cordel há cerca de cinco anos, sempre valorizando as culturas populares com forró tradicional e trios pé-de-serra. De uma vez só, por meio da mostra de literatura de cordel, nós integramos o forró clássico, a xilogravura, o artesanato e o cordel”, pontuou o diretor executivo da Funjope, Marcus Alves.


Sexta-feira – A programação do dia 05 de junho terá como destaque as declamações do cordelista Leonardo Leal, artisticamente conhecido como Mané Gostoso. Pernambucano, do município de Floresta, ele promete muita criatividade em sua apresentação. O cordelista ressaltou, inclusive, a importância da Feira de Cordel para quem atua nessa literatura.
“Considero de suma importância para a valorização, divulgação e pertencimento de nossa arte, que é a literatura de cordel, principalmente por ser uma arte nordestina, genuinamente paraibana. É através de ações como a Feira de Cordel que perpetuamos a nossa tradição”, comentou.


Ele também afirmou que a Feira de Cordel tem contribuído para ampliar a divulgação da arte. “É de muita importância espaços como esse, pois através dele nesses últimos anos temos levado nosso trabalho para muitos lugares, não só para os turistas, mas também para escolas e instituições que nos veem aqui e nos convidam para oficinas e palestras. Através dessa vitrine temos alcançado cada vez mais lugares e isso reflete muito, tanto nas vendas como no reconhecimento”, avaliou Mané Gostoso.
O músico Helinho Medeiros, que vai fazer o público dançar com sua sanfona, nesta sexta-feira, afirmou que um evento de literatura de cordel é muito importante para a cultura paraibana e nordestina. “A gente, que toca forró e acredita nas tradições de matriz nordestina, fica muito feliz de poder participar. Eu, particularmente, me sinto muito honrado de receber esse convite para levar um pouco de música e de arte para esse projeto”, afirmou.


Para ele, os trios de forró, os agentes ativos que desenvolvem esse tipo de cultura, estão todos conectados através da cultura nordestina, sejam cordelistas, o comércio que se alimenta, distribui e se retroalimenta disso. “Poder ter um trio de forró participando, se conectando, mostra as várias vertentes de uma mesma cultura que se juntam e se conectam, a música e a literatura”, pontuou.
No repertório de Helinho Medeiros não vão faltar clássicos de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro. Canções como Olha pro céu, Pagode russo, Pedras que cantam, Frevo Mulher, Canto da Ema, Sebastiana, entre outros. O músico também vai mostrar um pouco de suas composições.
Sábado – Quem passar pelo Busto de Tamandaré na tarde do dia 06 de junho vai poder conferir as apresentações das cordelistas Verônica Adelino e Claudeth Gomes. Natural de São Miguel de Taipu, Verônica Adelino afirmou que a Feira de Cordel é fundamental para os cordelistas.
“A Feira de Cordel garante sustentabilidade financeira, visibilidade e preservação da nossa arte. É uma vitrine estratégica para a literatura de cordel, considerada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. A feira abre um canal direto de comercialização dos folhetos e xilogravuras. Muitos dos poetas participantes dependem exclusivamente dessa renda para viver, e o estímulo oferecido pela Funjope ajuda a movimentar a cadeia de produção que envolve autores, impressores e ilustradores em toda a Paraíba”, avaliou.
Ela ressaltou que as feiras culturais são essenciais para divulgar a literatura de cordel, e acrescentou que, embora tenha nascido em mercados populares do Nordeste, a criação de feiras específicas e praças em bienais transformou o gênero de uma manifestação regional e marginalizada em Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.


A cordelista Claudeth Gomes destacou que a feira possibilita aos cordelistas divulgar, de forma ampla, para o público local e os turistas, o trabalho que realizam: os folhetos, as xilogravuras, o artesanato tradicional e as declamações – para os que declamam. “Além disso, é uma forma contemporânea de manter a tradição popular das poéticas orais, já que, na origem, os cordéis eram apresentados e vendidos em feiras e praças públicas”, disse.
Para ela, a Feira de Cordel, com toda a sua estrutura, amplifica a visibilidade dessa arte e toda a cadeia produtiva do cordel. “Temos possibilidade não só de vendas, mas de contatos para futuras contratações e divulgação ampla da tradicional arte nordestina”, complementou.
Radicada em João Pessoa desde 1991, a carioca Claudeth Gomes recebeu o título de cidadã paraibana em março de 2026, em reconhecimento ao seu trabalho em defesa, valorização e salvaguarda da cultura popular.
Para deixar a Feira de Cordel ainda mais animada neste sábado, o grupo Fulô de Mussambê preparou um repertório todo especial que envolve sucessos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Elino Julião, Antônio Barros, entre outros.


Fabrizzio Formiga, integrante do grupo, afirmou que o projeto dos músicos está em total sintonia com a Feira do Cordel: “A literatura e a poesia nordestinas estão em nosso repertório desde a fundação da banda, em 2016”, enfatizou.
Para o artista, a Feira de Cordel é fundamental para a cultura e merece ganhar cada vez mais espaço. “O cordel tem uma força imensa enquanto ferramenta identitária. Tem a nossa cara, nosso traço. A poesia deve fazer parte da vida de nossos jovens e de nossas crianças. A mesma coisa em relação aos trios de forró. É preciso formar mais e mais novos ‘fazedores’ de forró”, afirmou.
Confira a programação:
05/06 (sexta-feira)
Cordelista Leonardo Leal (Mané Gostoso)
Helinho Medeiros – sanfoneiro
06/06 (sábado)
Cordelistas Verônica Adelino e Claudeth Gomes
Grupo Fulô de Mussambê