
Adolescentes de três unidades de acolhimento da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) do Rio se conectaram com a história do Brasil e aprenderam sobre a transição da monarquia para a república num dos locais mais icônicos dos tempos do Império. Um passeio de duas horas de duração à Ilha Fiscal, na Baía de Guanabara, organizado pelo Projeto Pontes para o Futuro, com apoio da Marinha, proprietária do espaço, reuniu, na tarde de terça-feira (02/06), cerca de 20 garotos, com idades entre 12 e 17 anos, das Unidades de Reinserção Social (URS) Paulo Freire, em Campo Grande, na Zona Oeste; Dom Hélder Câmara, no Centro; e Angélica Goulart, em Del Castilho, Zona Norte.
Os meninos foram recebidos por uma oficial e por um guia da Marinha, que lhes deram as boas-vindas e percorreram com eles a ilha, famosa por ter abrigado o “Último Baile do Império”, em 9 de novembro de 1889, apenas seis dias antes da proclamação da república pelo marechal Deodoro da Fonseca. A garotada ouviu histórias da época e conheceu o roteiro percorrido pelos turistas.
A primeira atração foi o castelinho neogótico, um palacete com escada em caracol, torres e vitrais, projetado a pedido do então imperador Dom Pedro II. No Torreão, ponto mais alto do castelo, de onde se tem uma vista deslumbrante para a beleza da Baía de Guanabara, alguns meninos se divertiram ao localizar na paisagem a Ponte Rio-Niterói e o Museu do Amanhã. O sobe e desce dos aviões e seus voos rasantes, ao se aproximarem do Aeroporto Santos Dumont, também chamaram bastante atenção.
‘Tropeça, mas não cai’
No Salão Nobre, onde ocorreu o fatídico baile, os acolhidos da SMAS ouviram valsas que embalaram o festão de gala daquele dia e aprenderam que, conforme reza a lenda, Dom Pedro II, ao entrar no prédio e tropeçar, errou na previsão quando disse, em tom de piada, que a monarquia “tropeça, mas não cai”. Houve risadas quando o guia contou essa parte. Por fim, a turma fez fila para ver a “galeota de D. João VI”, uma embarcação movida a remos que era utilizada pela Família Real.
– Uma visita como essa tem grande impacto, não só para os meninos, mas para os educadores sociais que trabalham com eles. É uma oportunidade de aprender sobre História num local onde a história aconteceu. Estamos muito agradecidos à Marinha do Brasil por abrir as portas para a gente – comentou o coordenador do Pontes para o Futuro, Guilherme Nanni.
Sobre o Pontes para o Futuro
Criado em março de 2025, o projeto leva usuários da rede socioassistencial da Prefeitura do Rio a passeios e visitas que promovem aprendizagem, fortalecem a autoestima e buscam dar uma sensação de pertencimento. Até hoje, foram 68 ações, com quase 1.500 participações de acolhidos da rede. Os locais visitados são museus, estádios de futebol, pontos turísticos e lugares de valor histórico e cultural que, na maioria dos casos, seriam inacessíveis a esse público, por conta de sua vulnerabilidade social.