Terça, 02 de Junho de 2026
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UEPG integra estudo sobre trajetórias acadêmicas e evasão nas universidades estaduais do Paraná

Um estudo desenvolvido pelas sete universidades estaduais do Paraná analisou trajetórias acadêmicas e evasão estudantil ao longo de mais de uma déc...

Por: Editoração Fonte: UEPG
02/06/2026 às 19h30
UEPG integra estudo sobre trajetórias acadêmicas e evasão nas universidades estaduais do Paraná
Foto: Reprodução/UEPG

Um estudo desenvolvido pelas sete universidades estaduais do Paraná analisou trajetórias acadêmicas e evasão estudantil ao longo de mais de uma década. A pesquisa, realizada por encomenda governamental da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), com investimento do Fundo Paraná, identificou redução nos índices de evasão e apontou fatores relacionados à permanência dos estudantes na graduação. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), os dados revelam menor evasão entre mulheres e estudantes beneficiados por políticas de cotas, e maior evasão nos anos iniciais da graduação.

Os resultados integram o e-book Trajetórias acadêmicas e evasão: um estudo multicêntrico nas universidades estaduais do Paraná, organizado pelos pesquisadores Sérgio Carrazedo Dantas e Suzana Pereira do Prado. A obra, que foi apresentada em reunião da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp), reúne análises realizadas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e UEPG. O livro está disponível gratuitamente para download no site da Editora Arquétipos , responsável pela publicação.

Na UEPG, a pesquisa contou com uma equipe formada por um coordenador, um bolsista graduado e três bolsistas de graduação, com apoio da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) e da Comissão Permanente de Seleção (CPS). O grupo analisou dados fornecidos pela Prograd e pelo Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), abrangendo 19 processos seletivos realizados entre 2012 e 2022, além de informações acadêmicas de 24 mil estudantes matriculados em cursos presenciais entre 2010 e 2022. Para o estudo, a evasão ocorre quando o aluno abandona definitivamente ou é desligado da instituição sem concluir a graduação, excluídos os casos de falecimento.

Os dados de 2010 a 2022 mostram que há uma diminuição no número de estudantes evadidos no Sistema Estadual de Ensino Superior do Paraná, que atingem o menor percentual em 2022, com 30,5%. Na UEPG, a taxa média de evasão nesse período foi de 29,39%, o que significa que aproximadamente três em cada dez estudantes interrompem o percurso formativo antes de concluir a graduação. Esse percentual se alinha às médias nacionais observadas em universidades públicas, que segundo dados de 2022 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) variam entre 20% e 40%, dependendo da área de formação, do tipo de instituição e da modalidade de ensino.

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG

Coordenador da equipe da UEPG, o professor Erivelton Fontana De Laat destaca o caráter pioneiro do estudo. “Existiam trabalhos acadêmicos que analisam a evasão de um curso específico, mas estudar uma universidade inteira já é difícil. Fazer isso em uma rede de sete universidades é um trabalho inédito no Brasil, nenhuma tinha ido tão a fundo antes. É um trabalho de repercussão para outras universidades, e a gente tem recebido muitos elogios de outras redes estaduais de ensino superior”, conta.

Entre os resultados obtidos está a predominância feminina nas matrículas da UEPG (55,43% a 44,57%), o que reflete uma tendência nacional de feminização do ensino superior, conforme dados do Inep. Observa-se também maior evasão entre homens (35,50% a 25,45%), um fenômeno que o livro aponta que pode estar associado à inserção precoce no mercado de trabalho e à pressão cultural do papel de provedor. “Uma coisa interessante é que os dados apontam que as mulheres já são maioria entre os alunos no sistema estadual de ensino superior. E elas evadem menos, mesmo tendo muitas vezes mais tarefas, e aqui a gente está falando desde mulheres de 17 anos até acadêmicas com mais de 60 anos de idade. Porque a gente pensava que por ter mais matrículas de mulheres, teria mais evasão. É o contrário. Tem menos matrículas de homens e mais evasão de homens. Esse foi um dado que a gente não esperava, e nas sete universidades apareceu isso”, comenta Erivelton.

A pesquisa também demonstra que os cotistas de escola pública apresentam menor taxa de evasão (26,08%) do que os não cotistas (28,62%), embora ainda existam desigualdades entre os grupos beneficiários. Para Erivelton, um dos principais méritos da investigação foi permitir uma análise baseada em evidências. “Foi um trabalho muito importante para a gente sair do senso comum. Por exemplo, a gente mostra que os estudantes cotistas, tendo condições de permanecer, eles permanecem, o que ratifica a posição de que políticas de permanência são importantes. A partir do momento em que as pessoas têm uma bolsa de qualquer natureza, seja de pesquisa, extensão, monitoria, elas têm essa viabilidade de permanecer, e não vão debandar para voltar ao mundo do trabalho sem formação. Os números mostram isso”, afirma. O professor destaca a criação da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) da UEPG, em dezembro de 2018, como um dos fatores que influenciaram essa tendência. “A Prograd da UEPG já tinha estratégias para vencer a evasão, como preencher as vagas remanescentes, então isso ajudou, mas a partir de 2019, os dados de evasão melhoraram, apesar da pandemia”, observa.

Segundo Erivelton, a UEPG enfrentou um desafio adicional em relação às demais universidades, já que parte das informações analisadas ainda não estava digitalizada. “Nós tivemos um problema que as outras universidades não tiveram, porque elas já tinham as informações informatizadas. A gente não tinha, até 2018. Então os acadêmicos precisaram buscar documentos físicos e transcrever informações para o banco de dados, como os questionários socioeconômicos dos vestibulandos”, relata. De acordo com o professor, a recuperação desse material exigiu um trabalho manual de organização e sistematização de registros produzidos ao longo de vários anos. “Era um processo meio arcaico, não tinha sistema que dialogasse entre si. Foi um trabalho braçal que as outras universidades não precisaram fazer. Na UEPG isso melhorou basicamente de 2019 pra cá”, completa.

Além da análise dos dados institucionais, o projeto realizou uma pesquisa de campo com estudantes do ensino médio da rede estadual. Por meio de questionários aplicados em colégios selecionadas por amostragem, os pesquisadores buscaram compreender os fatores que influenciam a decisão de ingressar ou não no ensino superior. Segundo Erivelton, os resultados ajudam a compreender as expectativas dos jovens em relação à universidade e complementam as análises sobre ingresso e permanência estudantil.

Segunda etapa

O estudo alcançou os objetivos relacionados ao ingresso e à permanência dos estudantes, mas os pesquisadores encontraram dificuldades para analisar a trajetória dos egressos após a conclusão da graduação. Segundo Erivelton, o desafio foi comum às sete universidades participantes da pesquisa. “Esse é um problema mundial, quando a gente vai analisar a referência bibliográfica. Talvez a Itália seja o país que trabalhe melhor com a questão do egresso, mas lá tem um setor específico pra isso, a gente não tem isso no Brasil”, explica.

A dificuldade também se refletiu nas tentativas realizadas durante a pesquisa. De acordo com o professor, um dos obstáculos é a ausência de mecanismos permanentes de contato com os ex-alunos. “O retorno é muito baixo. O Brasil não tem essa vinculação com o egresso, é um aspecto cultural nosso, diferente dos Estados Unidos e da Europa. Aqui o egresso sai da universidade e muitas vezes o último contato é na colação de grau. As pesquisas mostram que as pessoas mudam muito de e-mail ao longo dos anos no Brasil, e quando deixam de usar o e-mail institucional e a gente perde esse vínculo. Então, o nosso último sinal de vida com ele seria o telefone. Agora, sistematizar isso é complexo”, afirma. Diante desse cenário, agora os pesquisadores buscam alternativas para identificar as trajetórias profissionais dos formados. “O desafio da segunda etapa do projeto é justamente o egresso. Foi o ponto que a gente não conseguiu dar conta no primeiro estudo”.

Texto: João Pizani | Fotos: Aline Jasper

Foto: Reprodução/UEPG
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