Quinta, 28 de Maio de 2026
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11ª Semana de Enfrentamento às Violências Contra Crianças e Adolescentes mobiliza Universidade e comunidade

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) promoveu, entre os dias 18 e 22 de maio, a 11ª Semana de Enfrentamento às Violências Contra Crianças...

Por: Editoração Fonte: UEPG
28/05/2026 às 19h50
11ª Semana de Enfrentamento às Violências Contra Crianças e Adolescentes mobiliza Universidade e comunidade
Foto: Reprodução/UEPG

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) promoveu, entre os dias 18 e 22 de maio, a 11ª Semana de Enfrentamento às Violências Contra Crianças e Adolescentes. Com uma programação voltada à prevenção, conscientização e fortalecimento da rede de proteção, o evento reuniu professores, estudantes, profissionais de diferentes áreas e comunidade em debates, oficinas e ações educativas. Organizada pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa, Extensão e Assessoria sobre Infância e Adolescência (Nepia), do Departamento de Serviço Social, as atividades começaram em 18 de maio e integram as ações do Maio Laranja, campanha nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

A abertura da programação deste ano foi marcada pela construção coletiva do jardim da campanha Faça Bonito, representado pelas flores amarelas e laranjas, símbolo da proteção à infância, em uma ação simbólica que ocorreu na Praça Santos Andrade, em frente ao Campus Centro da UEPG. No mesmo dia, uma caminhada em prol do Maio Laranja percorreu a região central de Ponta Grossa, com concentração em frente à Praça dos Polacos.

A professora Silmara Carneiro e Silva, coordenadora do curso de Serviço Social da UEPG, destaca que a construção do jardim simboliza o espírito coletivo necessário para enfrentar a violência contra crianças e adolescentes. “Uma das coisas mais bonitas dessa semana é o Faça Bonito, que permeia todo o espírito desse evento, porque, de fato, nós estamos enfrentando um fenômeno que nós não desejamos, que nós precisamos enfrentar, mas essa luta precisa ser eivada de espírito de colaboração, um espírito de construção coletiva”, afirmou. Para ela, o jardim representa visualmente o cuidado que precisa ser cultivado diariamente. “A construção do jardim tem esses tipos de coletividade que traz consigo a beleza que o trabalho social nessa área precisa construir cotidianamente”.

Foto: Reprodução/UEPG
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Para a coordenadora do Nepia e da 11ª Semana, professora Cleide Lavoratti, a mobilização representa uma trajetória construída ao longo de décadas pela universidade. “Já faz 11 anos que a gente faz a Semana de Enfrentamento às Violências Contra Crianças e Adolescentes, embora já faz 25 anos que o Nepia faz um dia alusivo ao dia 18 de maio, que é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças Adolescentes. Antigamente a gente fazia só no 18 de maio. Aí as demandas foram ampliando e a gente foi fazendo uma semana, duas semanas, tem anos que a gente faz o mês de maio inteiro com atividades”, relata. A professora ressalta que as ações ultrapassam os limites da Universidade, com atividades que impactem diretamente a comunidade, como as realizadas no Complexo Social, na Ocupação Ericson John Duarte e nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) de Ponta Grossa

O Nepia completa este ano a marca de 30 anos, período em que buscou expandir sua atuação para além dos estudos acadêmicos. “O Nepia foi criado em 1996 como núcleo de estudo sobre criança e adolescente e foi ampliando as suas atribuições à medida que a sociedade demandava para gente capacitações, assessoria. Então hoje o nosso núcleo estuda, mas ele também pesquisa, faz extensão e presta assessoria para os municípios da região dos Campos Gerais no tema da infância e da juventude”, explica Cleide.

Além do Nepia, a Semana reuniu diferentes instituições e projetos ligados à proteção da infância e adolescência. Entre eles, estão a Comissão de Enfrentamento às Violências e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (Ceves), vinculada ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), e os projetos de extensão Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e Juventude (Neddij), Parentalidade Positiva na Primeira Infância (Papoprin) e Turismo Responsável: Prevenindo a Exploração Sexual Infanto Juvenil. “Há uma parceria bem ampla com os setores aí. E já virou institucional, esse evento todo mundo fica esperando para ver o que vai ter na semana de enfrentamento à violência. A gente procura sempre trazer demandas atuais para o debate”, afirma Cleide.

Foto: Reprodução/UEPG
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Entre os temas debatidos nesta edição esteve o chamado ECA digital, relacionado aos crimes cometidos pela internet e aos desafios da proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual. Outra mesa discutiu a relação entre turismo e prevenção à exploração sexual infantojuvenil, atividade que integra o projeto de extensão do Departamento de Turismo da UEPG. Segundo a professora Graziela Scalise Horodyski, o setor turístico possui responsabilidade importante na prevenção de crimes. “As empresas turísticas precisam estar conscientes sobre essa questão e precisam conhecer os protocolos exigidos, para que todas as empresas juntas não deixem crianças desacompanhadas entrarem nas empresas”, afirmou.

Graziela explica que o turismo não é a causa da violência, mas pode ser um meio utilizado para sua ocorrência. “Pela hospedagem, pelo transporte, tem até tráfico de pessoas que acontecem em companhias aéreas. Não é a companhia aérea que está explorando, mas se a companhia aérea não exigir a documentação, ela vai estar sendo conivente”. A professora também menciona a construção histórica da sexualização da imagem do Brasil no setor turístico. “O Brasil durante décadas, nos anos 1960, 70, 80, explorou a ideia do turismo sexual no Brasil através da divulgação do corpo da mulher brasileira. Então, nós temos esse estigma, assim como outros destinos no mundo. Existem cidades no Brasil onde, infelizmente, isso ainda é um problema. Então, nós, profissionais de turismo, precisamos reconhecer isso e entender qual é o nosso papel. Se uma criança viajar de ônibus sem documentação é uma omissão da empresa. Então, o ECA dá o respaldo para que a gente exija essa documentação. O turismo não é o problema, mas é pelo turismo que esses problemas vão acontecer”, observa.

O estudante Erick Sovinski Lisboa, do terceiro ano de Turismo, participou da organização da Semana e das ações do projeto Turismo Responsável. Segundo ele, o trabalho de conscientização junto aos hotéis permitiu compreender como os protocolos funcionam na prática. “A gente ia nos hotéis para explicar qual a importância do enfrentamento à violência. A gente perguntava e ouvia o pessoal que trabalha nos hotéis explicar qual era o procedimento que eles faziam com menores de idade”, relata. “Foi interessante ver toda a experiência que eles têm para contar, eles contaram histórias sobre como é difícil e sempre tem confusão, porque quando vai se hospedar uma criança ou um adolescente tem que ter um responsável e tem que ter autorização”. Para Erick, o projeto também contribui para desconstruir estigmas históricos relacionados ao país. “A gente quer tentar desmistificar essa imagem do Brasil, e a gente vem tentando conscientizar as pessoas sobre isso”.

A programação também contou com a participação do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), delegacia especializada da Polícia Civil do Paraná. A delegada-chefe Ana Paula Cunha Carvalho ministrou uma palestra sobre revelação espontânea. Segundo Ana Paula, a formação da rede de proteção é fundamental para que profissionais saibam identificar situações de violência e encaminhá-las corretamente. “A revelação espontânea acontece quando a vítima, a criança e o adolescente, chega para algum atendimento na rede de proteção e ela acaba revelando espontaneamente alguns detalhes sobre o crime. Então a gente vai passar para a rede a importância da formalização desse termo de revelação, que serve como prova dentro da nossa investigação”, conta. A delegada destaca que a formalização dessas informações pode ser decisiva para a investigação policial, e reforça a necessidade de ampliar o debate sobre o tema. “Os crimes contra a criança e o adolescente acontecem dentro de casa e por pessoas muito próximas. Então, a gente precisa orientar o público, informar que isso realmente acontece, que infelizmente é uma realidade e a gente procura trazer uma conscientização para tentar a prevenção”.

Foto: Reprodução/UEPG
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Ações junto à comunidade

A 11ª Semana incluiu ações descentralizadas para aproximar o debate da comunidade. Na Ocupação Ericson John Duarte, as crianças da comunidade foram convidadas a participar de uma tarde de aprendizado, cuidado e reflexão que incluiu contação de histórias, dinâmicas e a construção do jardim. Outro destaque foram as ações nos Cras. Na unidade do Jardim Carvalho, a oficina de prevenção às violências contra crianças e adolescentes foi conduzida pela assistente social Jennifer Ferreira, integrante do Neddij. “A proposta dessa oficina é a sensibilização da comunidade em relação ao movimento do Maio Laranja, a Semana de Enfrentamento, o dia 18 de maio em si, para que eles realmente conheçam esse movimento e consigam transpassar para as demais famílias a importância da prevenção dos tipos de violência”, explica. Segundo Jennifer, muitas pessoas ainda desconhecem o significado da campanha. “O pessoal que participou da oficina, muitos não conheciam o movimento do 18 de Maio, então foi bem proveitoso para eles conhecerem esse movimento. Eles conseguiram tirar suas dúvidas e tiveram uma participação bem ativa”.

Moradora do bairro Santa Mônica, Marinalva Lima participou da atividade no Cras de Santa Mônica e destacou a importância da orientação para as famílias. “Achei essa atividade de hoje muito importante para a gente saber como cuidar das crianças, dos adolescentes, para não haver exploração infantil. Eu tenho criança em casa, tem bastante criança na vizinhança também, então é algo que me preocupa bastante. Esse é um trabalho lindo, maravilhoso, que a universidade está fazendo”, afirmou.

Texto: João Pizani | Fotos: João Pizani e arquivo pessoal de Cleide Lavoratti

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