
Em reunião da Comissão Estadual responsável pela organização dos Festejos Farroupilhas, realizada na sexta-feira (22/5), foi definida a identidade visual das festividades de 2026. Tomando como referência o tema dos Festejos deste ano, “Herança Jesuítica Guarani: 400 anos de cultura e tradição”, a proposta foi criada pela artista visual Luciane Lewis Xerxenevsky (Lux Lewis).
A identidade visual escolhida parte de uma abordagem que reconhece a formação do povo gaúcho a partir do encontro entre diferentes matrizes – especialmente as culturas indígenas guaranis e a presença das Missões Jesuíticas –, compreendidas como bases estruturantes do Rio Grande do Sul. Dessa forma, a arte apresentada adota uma construção que busca ir além da representação estética, trabalhando a marca como elemento de síntese histórica e cultural.
A artista destaca que o processo de criação passou por revisitar memórias vividas em Santa Rosa, onde passou a primeira infância, em diálogo com a força simbólica das Missões, do território e da cultura gaúcha. “A proposta partiu da ideia de que a arte não deveria nascer apenas de uma forma pronta ou de um símbolo institucional fechado. Ela surgiu do gesto, do impulso da cor, buscando romper com uma representação literal e trazendo a pintura como linguagem viva. Não parti da forma, mas do impulso. A energia do traço e o arraste da cor construíram a narrativa”, salientou Luciane.
Na composição, o azul representa a base, a profundidade da história e a fundação do território; o branco traz luz, respiro e clareza ao legado; enquanto o laranja e o vermelho expressam tensão, deslocamento, calor e memória viva. Elementos como o cavalo, o mapa do Rio Grande do Sul, a cruz missioneira, as ruínas, o fogo e o chimarrão aparecem como símbolos de pertencimento, continuidade e transformação.

“A geografia ganha vida. A bandeira do Estado virou lenço em movimento, aquele pano que o vento carrega, que o gaúcho usa no corpo, que ondula. Ela está viva. Os 400 anos da herança jesuítico-guarani pedem uma identidade que dialogue com a permanência da memória, mas também com o movimento da cultura. Por isso, a pintura aparece como força ativa: ela ultrapassa contornos rígidos, atravessa fronteiras e conecta território, gerações, história e emoção. Foi uma honra poder transformar essas referências em uma linguagem visual contemporânea, que respeita a tradição e coloca a memória em movimento. Origem é movimento”, afirmou a artista.
Luciane é servidora pública no CCX LABi (Laboratório de Inteligência da Casa Civil), do governo do Estado, núcleo voltado à gestão estratégica baseada em dados, inteligência artificial e evidências. A participação do laboratório nesse processo reforça uma diretriz contemporânea de integração entre cultura, inovação e qualificação da gestão pública.
Sobre o conceito
Do ponto de vista conceitual, o trabalho se afasta de uma lógica meramente ilustrativa e propõe uma leitura mais interpretativa da tradição. Entre os elementos presentes, além do cavalo – associado à ideia de liberdade, força e permanência –, estão símbolos ligados à cultura e ao cotidiano gaúcho, como o fogo, o chimarrão e o território.
A herança das Missões também aparece de forma estruturante, especialmente por meio da cruz missioneira, compreendida não somente como símbolo religioso, mas também como marco histórico e cultural que representa processos de formação, resistência e identidade. Nesse sentido, a proposta constrói uma narrativa visual que conecta passado e presente, permitindo múltiplas leituras.
Durante a reunião de sexta-feira, a Comissão analisou a proposta considerando critérios como aderência ao tema, consistência conceitual, qualidade estética e viabilidade de aplicação. A aprovação da arte deu-se pelo reconhecimento de que o trabalho apresenta uma leitura contemporânea, sem romper com os fundamentos da tradição, e consegue traduzir, de forma equilibrada, memória, pertencimento e projeção de futuro. A Comissão avaliou que, ao assumir a memória como ponto de partida e o presente como campo de construção, a identidade dos Festejos Farroupilhas 2026 reafirma a cultura gaúcha como um processo vivo, em constante movimento, transformação e continuidade.
Selo comemorativo
Como desdobramento da identidade visual, também foi desenvolvido um selo comemorativo alusivo aos 400 anos, pensado para aplicação em diferentes suportes institucionais e promocionais, a fim de garantir unidade visual e ampliar a presença simbólica dos Festejos no cotidiano da população. A proposta também se destaca pela preocupação com a aplicabilidade, tendo sido construída para funcionar em diferentes meios – do digital ao impresso, passando pela ambientação dos espaços dos Festejos –, mantendo legibilidade, força simbólica e coerência institucional.
A definição da identidade visual marca mais uma etapa na organização dos Festejos Farroupilhas 2026. A Comissão Estadual responsável pelas festividades iniciou os trabalhos em fevereiro e definiu Marianita Ortaça como a patrona das celebrações deste ano. O próximo passo será a escolha da canção tema, na quinta-feira (28/5).
Texto: Ascom Sedac
Edição: Secom