Segunda, 25 de Maio de 2026
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Agilidade no fechamento de protocolos aumenta em 20% o número de doadores de órgãos em Sergipe

Com atuação integrada das equipes no Huse, Estado registra aumento das doações, em 2026; rapidez na captação e preservação dos órgãos é decisiva pa...

Por: Editoração Fonte: Secom Sergipe
25/05/2026 às 19h39
Agilidade no fechamento de protocolos aumenta em 20% o número de doadores de órgãos em Sergipe
Fotos: Ascom SES

A rapidez no fechamento do protocolo de morte encefálica tem sido um fator decisivo para ampliar a viabilidade da doação de órgãos, em Sergipe. No Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), onde acontecem a maior parte das captações no estado, a atuação integrada das equipes de saúde e o acolhimento às famílias têm fortalecido o processo de doação e contribuído para salvar vidas.

Dados da Central Estadual de Transplantes mostram que, entre 1º de janeiro e 24 de maio de 2026, Sergipe registrou 25 doadores de órgãos, um aumento de pouco mais de 20% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 20 doadores. O crescimento também refletiu no número de órgãos captados: em 2025, foram captados um coração, 19 rins e 11 fígados. Já em 2026, o estado registrou três corações, 35 rins e 18 fígados.

De acordo com a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE), Darcyana Lisboa, o tempo é um dos principais aliados para garantir o sucesso do transplante. “O fechamento rápido e correto do protocolo é fundamental porque o tempo influencia diretamente na viabilidade dos órgãos. Quanto maior a demora, maior o risco de deterioração. Depois que o protocolo é concluído, existe um tempo limitado para preservação de cada órgão. Por isso, agilidade e segurança precisam caminhar juntas em todas as etapas”, destacou.

Após a retirada do doador, os órgãos passam a enfrentar o chamado tempo de isquemia fria, período em que deixam de receber oxigênio e nutrientes pela circulação sanguínea e permanecem preservados até o transplante. “O coração, por exemplo, possui um tempo muito curto de preservação, de quatro a cinco horas. O fígado pode chegar a 12 horas, o pâncreas até 20 horas e o rim até 36 horas. Mas quanto mais rápido esse órgão chega ao receptor, melhores são as chances de sucesso do transplante e da recuperação do paciente”, explicou Darcyana. 

A coordenadora ressaltou, ainda, os avanços conquistados no Huse com a reorganização do fluxo de trabalho e a integração das equipes multiprofissionais. “Antes, um protocolo chegava a levar mais de uma semana para ser concluído. Hoje, conseguimos finalizar em até 24 horas, com segurança e dentro das normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina. Isso só foi possível porque ampliamos o envolvimento dos profissionais de saúde, com médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e toda a equipe atuando de forma integrada”, afirmou.

Além da agilidade, o cuidado com a preservação dos órgãos é outro ponto essencial para garantir a segurança do transplante. Após a captação, os órgãos são acondicionados em soluções específicas de preservação, armazenados em bolsas estéreis e mantidos em caixas térmicas em temperaturas controladas. “Todo o processo é realizado dentro do centro cirúrgico, de forma técnica, segura e respeitosa. Os órgãos são preservados em temperatura adequada até chegarem ao receptor, onde passam por uma nova avaliação antes do transplante”, ressaltou Darcyana.
 
Recentemente, duas captações realizadas no Huse mobilizaram equipes multiprofissionais e reforçou a importância da rapidez no fechamento do protocolo de morte encefálica. Desde a abertura do protocolo até a realização da cirurgia de captação, o trabalho integrado entre assistência, OPO e Central Estadual de Transplantes garantiu que todo o processo ocorresse dentro do tempo necessário para preservar a viabilidade dos órgãos.

Para a equipe, além da eficiência técnica, o acolhimento às famílias continua sendo uma das etapas mais importantes de todo o processo. “A comunicação precisa ser clara, acolhedora e empática. Quando a família se sente respeitada e bem assistida, ela consegue compreender melhor um momento tão delicado. Esse acompanhamento humanizado faz toda a diferença”, pontuou a coordenadora.

O coordenador estadual da Central de Transplantes, Benito Fernandez, destacou o papel da população no fortalecimento da doação de órgãos. “A sociedade sergipana tem respondido favoravelmente à doação, sendo exemplo dentro do território nacional. Isso merece ser registrado: a imensa solidariedade do povo sergipano. A legislação brasileira determina que cônjuge ou parentes até segundo grau são responsáveis pela autorização da doação, por isso, é essencial que as famílias conversem sobre esse desejo. Essa informação ajuda na tomada de decisão em um momento de dor”, concluiu.
 

Coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe, Darcyana Lisboa
Coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe, Darcyana Lisboa
Coordenador estadual da Central de Transplantes, Benito Fernandez
Coordenador estadual da Central de Transplantes, Benito Fernandez
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